Sem a televisão eu não tinha sossego. Essa é que é essa: a televisão prende os meus filhos ao sofá, deixa-os hipnotizados, calados, sentados e deixa-me a casa silenciosa, arrumada e calma. E tudo isto à distância de um botão, de um clique, de um comando. É mágico. Ainda por cima não tem horários: são 24 horas de programação infantil e pelo menos quatro canais à escolha. E um deles até se chama Disney. Um luxo; um luxo para os pais e para os filhos.
"Vai ver televisão" soa ao "vai brincar para a rua" de há 15 anos. Faz sentido: desde o momento em que a rua é as escadas do prédio ou uma selva de predadores de crianças, o melhor mesmo é o Panda.
Além disso, qualquer criança que se interesse por qualquer dos canais temáticos sobre história, ciência ou natureza tem mais cultura que os dois pais juntos.
Por tudo isto não percebo bem porque é que há tanta gente contra este electrodoméstico maravilhoso que até nos ajuda a educar, ensinar e entreter crianças. Quer dizer, até percebo: o exagero e a falta de critério prejudicam. Claro que sim. Mas isso é a mesma coisa que ser contra o crédito ao consumo só porque há muita gente que não o sabe usar. Assim como nem todas as instituições de crédito praticam taxas proibitivas ou emprestam dinheiro a qualquer cliente falido, também nem todos os programas de televisão são os "Morangos com Açúcar" ou os "Ídolos".
Com limites e controlo, a televisão pode mesmo ser a melhor amiga dos pais. Como as brincadeiras na rua já foram.
Jornalista




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