Sporting

O novo leão não é visigodo mas tem pronúncia do Norte

por Bruno Roseiro, Publicado em 13 de Novembro de 2009   
Villas Boas, Sá Pinto, Pedrosa. Alvalade nega os mouros. E pensa em Quaresma
Quando o i anunciou, no sábado, que Sá Pinto tinha pé-e-meio no futebol do Sporting, estava ainda longe de perceber-se a nortada que ia varrer o futebol do leão. A inspiração de José Eduardo Bettencourt e dos que o rodeiam permitiu tudo, os nomes de possíveis sucessores de Paulo Bento rolaram como arbustos à espera de que Alvalade os agarrasse, mas a poeira começa finalmente a assentar a a estrutura desenha-se. A nortada deixa o Sporting com pronúncia do Norte.

Depois de Sá Pinto, o treinador escolhido é o portista André Villas Boas; na estrutura do futebol ainda pode entrar Pedrosa; e como reforço de Inverno um dos alvos será Ricardo Quaresma. Tudo gente com ligação mais ou menos recente à Invicta, o que não podia entroncar melhor no modelo que Bettencourt defende para a sua casa: um clube à FC Porto, de estrutura reduzida mas com grande solidariedade entre as peças. Ou seja, um clube sem fugas de informação e imune aos "batasunas"; um clube de decisões rápidas e internas que não seja gerido na praça pública. "Entre os Visigodos, os pais e as mães puxavam as orelhas aos filhos e resolviam tudo na hora. Com os mouros é diferente, é tudo mais lento, as coisas ardem em lume brando. No Norte é tudo mais rápido", disse Bettencourt no domingo. Dito e feito.

O regresso de Sá Pinto, o primeiro dos visigodos que aí vêm, foi ontem oficializado à CMVM. Era o previsto. O antigo futebolista - o que os sócios mais facilmente conseguem ver vestido o fato e a gravata - formou-se em gestão desportiva e vai agora tentar colocar em prática as ideias que defende há muito. "[José Eduardo Bettencourt] é bom profissional, uma pessoa que seria importante que fizesse parte da família sportinguista, mas noutro sector, a área em que está verdadeiramente vocacionado, a financeira. Tem grande qualidade e podia ser peça importante. Não como líder do futebol", disse Sá Pinto ao "Record", em 2005. Está visto o seu posicionamento: vai querer libertar Bettencourt para a presidência e assumir ele próprio o balneário e a gestão desportiva. Nessa área, o portista de 37 anos precisa de ajuda de confiança. É aí que surge o nome de Pedrosa, outros 37 anos, começados a contar no Grijó. Sá Pinto e Pedrosa fizeram a viagem juntos do Salgueiros para o Sporting, em 1994, e agora poderão repetir a chegada. O antigo lateral esquerdo, que por enquanto se ocupa do futebol de formação do Boavista, aproveitou os últimos tempos para fazer exactamente o mesmo que o amigo. Estudou.

Quanto a estrutura começar a funcionar, uma das principais preocupações vai ser o ataque ao mercado de Janeiro. E aí um reforço será de discussão incontornável, Ricardo Quaresma, porque Bettencourt já tentou contratá-lo no Verão e porque coincide com o perfil que Sá Pinto definiu como necessário. De resto, Quaresma está perdido em Itália e nunca jogou tão bem como em Portugal (no Sporting e no... FC Porto).

A boa nova fica para hoje? Resta saber de que forma vai consumar-se o acordo entre Bettencourt e Villas Boas. O líder do Sporting estará em presidência aberta no sábado (Valpaços e Évora) e uma eventual apresentação do antigo adjunto de José Mourinho (juntaram-se a Norte, no FC Porto) só tem espaço hoje ou domingo. Para já, as ordens em Alvalade impõem que Leonel Pontes e Carlos Pereira orientem o treino desta sexta-feira, em Alcochete, mas é esperado que uma nova equipa técnica arranque em funções na segunda-feira. Ontem, Villas Boas fez-se despercebido mas deu sinal de que percebe o se passa. "Pedi à Académica para ouvir o Sporting".


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