Um jornal oficial chinês de língua inglesa evocou hoje o Muro de Berlim como “um período negro”, mas a generalidade da imprensa chinesa ignorou o 20.º aniversário da queda daquele símbolo da Guerra Fria.
“Muro de Berlim: Duradoura memória de um período negro”, diz o Global Times, jornal do grupo Diário do Povo, o órgão oficial do Partido Comunista Chinês.
Há três dias, outro jornal oficial de língua inglesa, o China Daily, dedicou uma página à queda do Muro de Berlim.
O Global Times e China Daily são lidos sobretudo pela comunidade estrangeira residente nas principais cidades chinesas, nomeadamente Pequim e Xangai
“A barreira da Guerra Fria caiu há vinte anos, mas o sonho de uma Europa unida continua a ser um sonho”, disse o China Daily.
O Muro de Berlim foi derrubado no dia 09 de Novembro de 1989.
O Global Times refere que as comemorações ocorrem num cenário de crise financeira e de “reavaliação do capitalismo”, mas evita pronunciar-se sobre o significado dos acontecimentos de há 20 anos.
“É obvio que o modelo neo-liberal que dominou a política americana e inglesa nos últimos vinte anos tem de ser mudado”, disse ao Global Times o director do Centro de História e Economia da Universidade de Cambridge, Gareth Stedman Jones.
Aquele académico sustenta que “para o bem e para o mal, o capitalismo continua a ser o sistema económico mais dinâmico”, mas – acrescenta – “ainda há margem para o controlar e moldar” e “a social-democracia tem futuro”.
Oficialmente, a China mantém-se fiel ao marxismo-leninismo.
Na Primavera de 1989, antes da vaga de protestos populares que afastaram do poder os partidos comunistas da Europa de Leste, a China foi confrontada com um movimento de contestação social e política encabeçado pelos estudantes da Universidade de Pequim.
Durante várias semanas, os estudantes ocuparam a Praça Tiananmen, no centro de Pequim, mas o movimento seria esmagado pelo exército, no dia 04 de Junho de 1989.
Centenas de pessoas morreram e milhares de outras foram presas ou exilaram-se.
Segundo alguns analistas, foi a emoção internacional causada pelas imagens da sangrenta intervenção militar contra o movimento pró-democracia da Praça Tiananmen que terá inibido as autoridades da antiga RDA a recorrer a “medidas mais duras” para reprimir as primeiras manifestações de protesto no pais, no inicio de Outubro.
Quando o Muro de Berlim caiu, a liderança comunista chinesa estava internacionalmente isolada e receava uma nova Guerra Fria, dirigida desta vez contra a China.
A partir de 1993, porém, o Partido Comunista Chinês converteu-se à economia de mercado e gradualmente o país foi normalizando as relações com as principais países ocidentais.




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