Caso Face Oculta

Accionistas avaliam o futuro de Penedos na REN quarta-feira

por Sílvia De Oliveira, Publicado em 09 de Novembro de 2009   
A auditoria pedida pelo presidente da REN vai ser avaliada numa reunião de conselho de administração no dia 11 onde estarão representados os accionistas de referência da empresa.
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José Penedos, presidente da REN, fala com o ex-ministro da Economia, Manuel Pinho, sob o olhar atento de Filipe de Botton, presidente da Logoplaste, accionista da empresa
Quarta-feira promete ser um dia decisivo para o presidente da REN (Redes Energéticas Nacionais). O conselho de administração da empresa vai analisar os resultados da auditoria independente pedida por José Penedos, na sequência das suspeitas reveladas pela operação Face Oculta, em que foi constituído arguido. Das conclusões da reunião irá depender a continuidade de Penedos no cargo.

A Deloitte começou a trabalhar na sexta-feira, dia 30 de Outubro, quando José Penedos ainda não tinha sido notificado de que era arguido. Segundo disse ao i fonte oficial da REN, " a comissão de auditoria espera receber nas próximas horas o relatório da auditoria externa pedida [à Deloitte]." O documento será levado ao conselho de administração na quarta-feira e depois tornado público por indicação do presidente José Penedos.

Ao que o i apurou, terão sido detectadas alguns ajustes directos em contratos feitos com a O2, circunstância que por si só não configura favorecimento. De acordo com o auto das buscas, a intervenção de José Penedos, a pedido do seu filho, terá sido decisiva para a renovação até 2010 do contrato de gestão global de resíduos da REN com a O2.

O presidente da REN é o único titular de um cargo de administração envolvido nas investigações da Face Oculta que se mantém em funções, depois de conhecidas as suspeitas que apontam para uma rede em empresas públicas ou de capitais públicos que, em troca de contrapartidas, favorecia o empresário Manuel Godinho em contratos de limpeza, desmantelamento e venda de sucata.

Conforme o i noticiou quinta-feira, alguns accionistas da REN têm pressionado Penedos a suspender funções, mas o gestor tem oferecido resistência. Penedos, que está a poucos meses de terminar o mandato, sustenta a vontade de ficar, em primeiro lugar pelo facto de se considerar inocente e, depois, porque o principal accionista da REN - o Estado - nunca foi taxativo sobre a sua saída. Questionado sobre o presidente da REN, o primeiro-ministro disse, na sexta-feira, que "as pessoas em causa estão neste momento arguidas e não acusadas. Se estivessem acusadas, a questão seria diferente. O governo não mantém confiança a quem está acusado pelo poder judicial. Competirá a cada uma delas fazer o julgamento do que deve ou não fazer. Ninguém deve agir contra outrem com desconfiança, com base apenas na situação de arguido", frisou Sócrates.

Na próxima quarta-feira, dia da reunião do conselho de administração, poderá haver clarificação. Este órgão inclui os cinco elementos da comissão executiva da REN, os três responsáveis pela comissão de auditoria e vários administradores não executivos que representam os maiores accionistas, num total de 13. É da parte dos representantes dos accionistas que se espera uma maior pressão para que José Penedos siga o exemplo de outros titulares de cargos, como Armando Vara, que suspendeu o mandato de vice-presidente do BCP. Se Penedos quiser ficar, só uma assembleia geral extraordinária o poderá substituir antes do final do mandado.

Filipe de Botton, presidente da Logoplaste, Manuel Champalimaud, da Gestmin, Gonçalo Oliveira, da Olinvest, e Luís Atienza, da Rede Eléctrica de Espanha, são administradores não executivos que representam os accionistas privados. O Estado é o maior accionista da REN, que será abrangida pela auditoria da Inspecção-Geral de Finanças.


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