Educação
Isabel Alçada entre a parede e os professores
por Sónia Cerdeira, Publicado em 09 de Novembro de 2009
Sindicatos dos professores não aceitam "não" como resposta na reunião de amanhã com Isabel Alçada
Os sindicatos dos professores esticam a corda ao limite: exigem a revogação imediata da avaliação e a revisão do estatuto da carreira docente. Partem com esperança para as reuniões de amanhã com a ministra da Educação, Isabel Alçada, que está entre a espada e a parede. Ou entre suspender a avaliação e a ameaça de novos protestos.
Por um lado, José Sócrates, que afirmou no debate do programa do governo que não irá suspender a avaliação dos professores, uma posição reafirmada pelo ministro dos Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão. Por outro, os sindicatos, que não aceitam um "não" como resposta, acenando com o fantasma da greve, recorrente na legislatura passada. Entre Isabel Alçada e Sócrates há, aliás, contradições: "Tanto no sistema de avaliação como no estatuto [da carreira docente], duas faces da mesma realidade, não há pontos que não se possam mudar", disse a ministra à saída do debate na Assembleia, abrindo portas às negociações.
Entre os professores, a expectativa e impaciência aumentam. "Este [modelo de avaliação] não serve, queremos outro", afirma ao i Carlos Chagas, presidente da Fenei. "Não resta muita margem de manobra à ministra. Os sindicatos querem a revisão, a oposição também e é maioritária. Ao governo compete tirar ilações sobre a questão."
Cada sindicato estará cerca de uma hora reunido com Isabel Alçada. "Espero que a nova ministra seja capaz de uma relação com os sindicatos e professores de abertura para a negociação e consenso de soluções", diz ao i João Dias da Silva, secretário- -geral da FNE. A solução será uma "nova avaliação aos professores a partir deste ano lectivo", suspendendo a do ano passado e "que não constitua uma pressão para os professores, tendo um carácter formativo e não sumativo para efeitos de transição de escalão", explica ao i João Dias da Silva. Além da avaliação dos professores, está em causa uma "revisão global do estatuto da carreira, por exemplo, pondo fim à prova de ingresso e redefinição da carga horária", afirma o secretário-geral da FNE.
Mário Nogueira, secretário- -geral da FENPROF, já disse que se o governo não suspender a avaliação "é necessário que a Assembleia da República suspenda." Uma opinião partilhada por Carlos Chagas da Fenei.
Os partidos da oposição já se reuniram com os sindicatos e concordam nos princípios. "O PSD vai ser coerente com o que defendeu no programa [revogar modelo de avaliação] e vamos assumir uma atitude pró-activa", adianta ao i Pedro Duarte, deputado do PSD, sem dizer que tipo de iniciativa tomará.
Já o CDS-PP apresentará "em breve uma proposta, utilizando o melhor meio para a resolução genérica do impasse", diz ao i Diogo Feio. O CDS-PP propõe uma carreira única, com a possibilidade de, a partir de determinado escalão, quem quiser partir voluntariamente para áreas de direcção o possa fazer, explica o eurodeputado. Também o PCP mantém na agenda um diploma para revogar a avaliação dos professores que será agendado nas primeiras iniciativas legislativas, afirma ao i Miguel Tiago: "É importante que não se use a negociação para fingir, como fez Sócrates na indigitação, encenando coligações. Esperemos que não seja uma estratégia do mesmo estilo, legitimando a imposição de políticas que quer fazer pela estratégia da vitimização."
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