Acção Católica

Movimentos religiosos reclamam mais apoio da hierarquia da Igreja

por Agência Lusa, Publicado em 07 de Novembro de 2009   

As comemorações dos 75 anos da Acção Católica Portuguesa (ACP), que decorrem este fim-de-semana, vão servir sobretudo para mostrar que o movimento "está vivo", mas precisa de mais apoios da hierarquia da Igreja Católica.

A Acção Católica Portuguesa (ACP) nasceu em 1933, pela mão do cardeal Manuel Gonçalves Cerejeira e incentivo do Papa Pio XI, para estimular a participação dos leigos na Igreja Católica e, dessa maneira, estreitar a relação da Igreja com a sociedade.

A 16 de Novembro do mesmo ano torna-se organização nacional, cobrindo todas as dioceses do país e dando origem a 20 movimentos especializados, organizados por sexo e idade e segundo os "meios sociais" da época - agrário, escolar, independente, operário e universitário.

O trabalho era - e continua a ser - feito por leigos, mas sempre coordenado e dirigido por membros da Igreja. 75 anos depois, alguns movimentos sentem que a Igreja Católica já não lhes dá o mesmo valor.

"Somos um reflexo da própria Igreja e a Igreja já não são multidões, mas sim pequenos grupos. E durante as comemorações vamos poder afirmar que a Acção Católica está viva e viva no meio, mas que precisamos de apoio", disse à Lusa a presidente nacional da Acção Católica Rural (ACR), um dos movimentos integrantes da ACP.

Segundo esta militante, na ACP há 25 anos, os movimentos gostavam que a Igreja Católica os "compreendesse melhor".

"Um trabalho que seja muito centrado em si próprio e que seja muito interno, é muito fácil de ser aceite. Mas se criamos problemas e pomos as pessoas a mexer, nem sempre é bem aceite. É que nós pomos o dedo na ferida", explicou.

Explicação com a qual o coordenador nacional da Liga Operária Católica/Movimento de Trabalhadores Cristãos (LOC/MTC) também concorda.

"Alguns ficam muito satisfeitos porque vão à missa, mas só isso não chega. Outros há que são capazes de ir mais longe e são esses que se tornam incomodativos", justificou José Domingos Rodrigues.

"Se não houver uma abertura por parte da própria Igreja hierárquica sobre a importância destes espaços (os movimentos), naturalmente que as dificuldades são ainda maiores", acrescentou.

De acordo com Domingos Rodrigues, esta falta de interesse "já vem de há muito tempo", mas sente-se mais agora porque começa a haver falta de rejuvenescimento e de renovação entre os militantes.

Contactado pela Lusa, o historiador e professor universitário Pedro Pontes lembrou o importante papel que a ACP teve na evolução, não só da Igreja, como da sociedade portuguesa, na sua modernização e na sua abertura social e política.

Sublinhou, no entanto, que, como estrutura orgânica, a ACP "desapareceu" em 1974 e deixou de haver apenas uma organização para passarem a existir vários movimentos.

No actual contexto, Pedro Pontes entende que não é possível à Igreja Católica dar mais apoios porque passou a haver mais movimentos a reclamarem o mesmo e defende, por outro lado, que os movimentos nascidos da ACP procurem uma maior autonomia.

"Nesta passagem de paradigma, estes movimentos ganharam autonomia. Como é que podem construir futuro? Aprofundando essa autonomia, valorizando as suas responsabilidades e indo ao encontro das novas realidades em questão porque se fidelidade há, não é à forma, mas ao espírito", sustentou.

As comemorações dos 75 anos da ACP decorrem entre hoje e domingo, no Porto.



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