Nunca tinha pronunciado a palavra "auto-estima" até ter filhos. Mas desde então tem sido um vê se te avias. Trabalhar a auto-estima, melhorar a auto-estima, criar auto-estima, são imperativos de crescimento que parecem ter vindo substituir, por exemplo, o óleo de fígado de bacalhau. E é uma coisa recente: o meu corrector só há relativamente pouco tempo deixou de marcar erro quando eu escrevo "auto-es- tima".
As regras de educação, de ensino ou de crescimento estão todas empoleiradas neste novo conceito, sejam elas castigos, sejam incentivos, brincadeiras, avaliações ou desportos. Qualquer pessoa ou coisa que ameace a auto-estima de uma criança ou possa fragilizá-la é louca ou maléfica. Não há dúvidas.
Acho importante que todas as crianças gostem delas próprias, tenham uma ideia exagerada de si próprias, de preferência. Sejam convencidas, mesmo. E mimadas, se possível. Tenham a certeza absoluta de que conseguem fazer ou ser o que quiserem e sejam imunes a críticas infantis dos adultos.
Sou mesmo a favor de auto- -estimas do tamanho de porta- -aviões - de porta-aviões estimas, de auto-estimas que se estimam muito bem sozinhas. Automaticamente, portanto. E porquê? Porque a auto-estima é conquistada por cada criança à custa dos seus sucessos e fracassos e com a ajuda e a atenção de quem a rodeia; não se compra no Toys R'Us. Porque uma boa auto-estima é, antes de tudo, resultado de muito trabalhinho.
Jornalista




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