Em Novembro de 1989, os alemães de Leste foram finalmente autorizados a passar a fronteira com Berlim ocidental. Vinte anos passados, há bons motivos para comemorar o simbolismo dos primeiros passos de uma Europa unida e livre. No entanto, num remoto país da Europa há quem pense que não. Em nota enviada à Lusa, o PCP vem recordar-nos que "as 'comemorações de regime' a que assistimos são uma operação de reescrita da história e de branqueamento do capitalismo". Afinal "o mundo está hoje mais injusto, mais desigual, mais perigoso e menos democrático" e, claro, a solução dos problemas da humanidade "não está nas contra-revoluções que há 20 anos varreram o Leste europeu", mas sim na lealdade aos ideais da "grande Revolução de Outubro".
No fim fica a certeza de que, por trás das falas mansas do comunismo de sociedade recreativa se esconde um partido envolvido num crescendo de ortodoxia sem paralelo no mundo ocidental. Afinal o enlevo com a Coreia do Norte de Bernardino Soares ou o apagamento do Gulag da deputada Rita Rato não são notas dissonantes ocasionais, mas sim o elemento central da partitura pela qual se rege hoje o PCP.
Politólogo




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