Cinema

Agora o cinema de Coppola é um negócio de família

por Luís Leal Miranda, Publicado em 06 de Novembro de 2009   
Em "Tetro", Coppola volta aos filmes independentes dependendo apenas dos vinhos
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Maribel Verdú e Vincent Gallo, protagonistas de
No final da década de 70, Francis Ford Coppola tinha realizado "Apocalipse Now", "O Padrinho" e ganho cinco óscares. Com um currículo destes, podia fazer o que quisesse: tinha o respeito do público, a admiração da crítica e os estúdios de cinema recebiam-no sem convidar o contabilista. A década de 80 foi igualmente produtiva ("Os Marginais", "Juventude Inquieta"), mas os anos 90 viram o realizador, pai de Sofia Coppola, tio de Nicolas Cage, perder o fulgor das outras décadas, ocupado em películas menores como "Jack" ou "O Poder da Justiça". A partir de 1997, Francis Ford Coppola desapareceu.
Esteve dez anos em hibernação, sem estrear qualquer filme, uma década inteira em que se empilharam expectativas. Resultado: "A Segunda Juventude", um filme tão aguardado quanto discreto, um drama soporífero que desiludiu críticos e afastou audiências. "Tetro", novo filme de Coppola, que estreia domingo (Centro de Congressos, 20h30) no Estoril Film Festival, criou menos expectativas, mas esperam-no mais sobrolhos carregados.
"Tetro" tem um argumento original de Coppola (o primeiro em 35 anos), que conta a história de uma família de origem italiana com um passado marcado por segredos e rancores - "'O Padrinho', é você?". Bennie, 17 anos, deixa um navio de cruzeiro onde trabalha como empregado de mesa para viver com o irmão mais velho, Tetro, um escritor que fugiu de casa há muitos anos depois de várias disputas com o pai, um maestro que lhe roubou a namorada. O reencontro dos irmãos faz com que os esqueletos saiam do armário da família e comecem a atirar pedras aos telhados de vidro dos dois.
SEGUNDA VIDA Coppola pôs de parte o estilo dramático, excessivo e grandioso dos seus tempos de Hollywood. Prefere filmes estilizados e contidos. Quando "Tetro" estreou em Cannes, Coppola admitiu semelhanças entre o filme e a sua vida - além disso revelou ter-se inspirado na sua família para os diálogos de "O Padrinho".
Para filmar "Tetro", Coppola enfrentou pela primeira vez problemas de financiamento. Felizmente, as coisas correm melhor na vinoteca que na cinemateca. A Francis Ford Coppola Winery acabou por ser o grande patrocinador do novo filme. Fica tudo em família.


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