O ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, afirmou hoje que está a acompanhar o envolvimento de empresas públicas no processo "Face Oculta" e que compete ao presidente da REN-Redes eléctricas Nacionais a decisão quanto à sua demissão.
Questionado sobre se José Penedos, presidente da REN, se deveria manter no cargo, Teixeira dos Santos afirmou: "Não me pronuncio quanto a isso, é uma decisão que compete ao senhor presidente da REN", afirmou.
"Com certeza que estou a acompanhar. Não quero interferir no trabalho das investigações que estão em curso, de qualquer modo, estando envolvidas as empresas públicas, o Ministério das finanças já tomou as diligências necessárias para que as empresas façam uma análise de toda a situação", afirmou o Teixeira dos Santos à margem do debate do Programa de Governo na Assembleia da República.
O ministro de Estado e das Finanças indicou ainda que foi solicitado às empresas públicas com o nome envolvido no processo que "informem o Ministério das finanças quanto aos procedimentos que estão a adoptar e que têm vindo a adoptar nos processos de contratação" e determinada que a Inspecção Geral das Finanças que faça uma auditoria a estes procedimentos.
"Foi já determinado à IGF que faça uma auditoria a estes procedimentos e que apresente um relatório", disse.
Hoje, o presidente da REN garantiu à Lusa que não se demitiu do cargo na sequência do processo Face Oculta, em que foi constituído arguido, sem esclarecer, no entanto, se tomará alguma decisão nesse sentido.
Contactado pela Lusa na sede da REN, em Lisboa, sobre a sua eventual demissão, José Penedos apenas informou através da secretária que não se demitiu. "A única que diz é que não se demitiu", disse a secretária de José Penedos.
A possibilidade da demissão de José Penedos foi avançada hoje por alguns jornais, nomeadamente o i, segundo o qual "antes de segunda-feira, o presidente da REN suspende funções".
A Polícia Judiciária (PJ) desencadeou no dia 28 de Outubro a operação "Face Oculta" em vários pontos do país, no âmbito de uma investigação relacionada com alegados crimes económicos de um grupo empresarial de Ovar que integra a O2-Tratamento e Limpezas Ambientais, a que está ligado o empresário Manuel José Godinho, que está em prisão preventiva, no quadro deste processo.
No decurso da operação foram efectuadas cerca de 30 buscas, domiciliárias e a postos de trabalho, e 15 pessoas foram constituídas arguidas, incluindo Armando Vara, José Penedos, presidente da Rede Eléctrica Nacional (REN), e o seu filho Paulo Penedos, advogado da empresa SCI-Sociedade Comercial e Industrial de Metalomecânica SA, de Manuel José Godinho.




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