Uma crise e um buraco

por João César das Neves, Publicado em 04 de Novembro de 2009   
As previsões da União Europeia, como aliás as de outros institutos, já deram a curva e começaram a ser menos pessimistas do que eram. Para Portugal indicam uma queda de 2,9% no produto este ano e uma estagnação (0,3%) no ano que vem, quando na Primavera diziam -3,7% em 2009 e -0,8% em 2010. Antecipam um desemprego na casa de 9% em ambos os anos que, sendo melhor que o que diziam antes, continua a ser grave.

Na ventilação da procura, agravam a queda do investimento

(-15,2%) e exportações (-14%) este ano. Assim o amortecimento da queda fica a dever-se a uma contracção inferior do consumo privado (-0,9%), uma aceleração do consumo público (1,7%) e sobretudo uma acentuação da queda nas importações (-13,7%).

Talvez o elemento mais preocupante destas previsões esteja no campo financeiro. O défice orçamental deve cair para 8% do PIB em 2009 e 2010, e para 8,7% em 2011, enquanto o défice externo corrente é colocado em 10,2% do PIB nos três anos. Assim, Portugal não vai reduzir a taxa de endividamento do Estado e da economia no horizonte previsível. A dívida pública atingirá em 2011, segundo esta previsão 91% do PIB em 2011, valor que nunca teve no pior das derrocadas dos últimos 200 anos.

Economista e professor da

Universidade Católica Portuguesa


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