Face Oculta

Elevado pelas promoções, apanhado nas demissões

Publicado em 04 de Novembro de 2009   
Armando Vara é suspeito de ter recebido dinheiro para exercer a sua influência em benefício de Godinho
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Armando Vara foi ministro de Guterres em 1999 e 2000, tendo caído à conta de notícias sobre irregularidades na Fundação para a Prevenção Rodoviária.
O percurso de Armando Vara tem sido tudo menos tranquilo e a chegada ao BCP não foge à regra. Não pelo homem, mas acima de tudo por causa do que determinou a chegada de Carlos Santos Ferreira à liderança do banco e, depois, à consequente promoção do ex-ministro de António Guterres, demitido em 2000 depois de notícias sobre irregularidades na Fundação para a Prevenção e Segurança.

Inundado por um banho de lama, o banco fundado por Jardim Gonçalves viveu durante quase dois anos uma guerra fratricida, com amigos, colegas e accionistas divididos em duas facções numa clara guerra pelo poder. Uns não queriam largá-lo, outros exigiam o que achavam seu por direito. Ninguém ganhou, todos perderam, pois como dita a sabedoria popular zangam-se as comadres, descobrem-se as verdades.

A pouco e pouco começaram a ser noticiadas diversas investigações às contas do BCP, primeiro do Banco de Portugal, depois da Comissão do Mercado dos Valores Mobiliários e por fim do próprio Ministério Público. As investigações fizeram com que Filipe Pinhal, nome eleito depois da guerra entre os accionistas do banco, fosse "desaconselhado" por Vítor Constâncio a correr pela liderança do BCP, em meados de Dezembro de 2007. Acto contínuo, Santos Ferreira, então presidente da Caixa Geral de Depósitos - que tinha aprovado empréstimos de 500 milhões a accionistas do BCP para se reforçarem com mais acções e mais votos - demite-se da CGD a 27 de Dezembro de 2007 e surge como candidato ao BCP. A 15 de Janeiro é eleito, com a quase totalidade dos votos. Nesse mesmo dia Armando Vara desvincula-se da CGD.

Em Setembro deste ano, Filipe Pinhal quebrou o silêncio sobre a guerra pelo poder no BCP. Numa série de entrevistas, o ex-gestor do BCP acabou por acusar o governo de José Sócrates de se ter intrometido na dança das cadeiras que levou Santos Ferreira à liderança do maior banco privado português, tendo dado luz verde à sucessão. Além de Vara, o novo líder do BCP também promoveu Paulo Macedo, ex-director-geral dos Impostos, a vice-líder do banco.

Depois do conturbado processo de sucessão no BCP, a nomeação de Vara para vice-presidente do Banco também não foi tranquila. Primeiro por causa da notícia de ter sido promovido a 27 de Fevereiro na CGD - escalão 17 para 18 - já depois da sua demissão, pequena nuance que terá reflexos para efeitos de reforma do ex-ministro socialista. Aliás, aparentemente, as entradas de Vara na banca nunca correm a 100%. Chegou à administração da CGD com a subida de Sócrates ao poder, tendo apenas concluído o curso três dias antes da sua promoção no banco público. A licenciatura, em Relações Internacionais, foi tirada na Independente, a mesma que deu o estatuto de engenheiro ao actual primeiro-ministro.

Com o pedido de suspensão de ontem, Armando Vara perde também a presidência do banco Millennium Angola e a vice-presidência do Banco Internacional de Moçambique, segundo noticiou ontem à noite a Lusa. Vara iria ser o máximo responsável pela abertura de 100 balcões BCP em Luanda, tendo sido eleito pelos accionistas do banco para esse efeito. Iria liderar um ponto de viragem na internacionalização do banco, conforme foi noticiado quando se soube da nova promoção de Armando Vara. A viragem acabou por ser outra e caiu-lhe num telefonema a pedir a saída de uma secretária de Estado.


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