Empresas
Do desemprego para a loja online
por Ana Rita Guerra, Publicado em 04 de Novembro de 2009
Perder o emprego foi o ponto de partida. A internet ofereceu uma saída para a crise
Há cada vez mais empreendedores a optarem pelo lançamento de uma loja online em vez de um negócio tradicional. Desde que a crise se agudizou, a Amen.pt - uma das maiores empresas que fornecem presenças na internet - notou um aumento significativo dos pedidos para sites de co- mércio electrónico. Nuno Matias, responsável da Amen.pt, indica que a empresa já tem 600 lojas online alojadas em Portugal, um crescimento de 40% em relação a 2008.
A facilidade e o baixo custo são os principais atractivos deste investimento. Uma loja básica de comércio electrónico na Amen, por exemplo, custa menos de 200 euros por ano. O negócio online está, por isso mesmo, a ser usado como saída para quem perdeu o emprego com a crise. Foi isto mesmo que aconteceu a Sofia Silva, uma arquitecta que passou por vários ateliês do Porto antes de ficar desempregada. Com fracas perspectivas de ter sucesso na profissão, decidiu investir numa área completamente diferente. Arranjou uma sócia, Mariana, e com ela criou a dot-baby.com.pt. É uma loja online que vende roupa e acessórios para bebés e grávidas. "A minha sócia já trabalhava na área têxtil", explica Sofia Silva. A opção por um negócio na internet foi tomada porque "permite vender para vários sítios do mundo e tem um investimento inicial muito reduzido".
Um ano depois do lançamento, a dot-baby já tem 700 clientes registados e vende 20% dos seus produtos para a Europa, sobretudo Inglaterra, Bélgica, França e Luxemburgo. Sofia é responsável por todo o design das roupas, que são fabricadas por pequenos grupos de costureiras e unidades fabris. O site já está em inglês e este mês passa a haver mais uma versão, em espanhol, que deverá aumentar as vendas da empresa para o país vizinho. Ainda assim, a empresa continua a ser composta apenas pelas duas sócias - o que mostra a flexibilidade associada a um negócio na internet.
O caso de Filipa Coutinho é ainda mais claro, já que é a única funcionária da sua empresa. Trabalhava num banco quando ficou desempregada e pouco antes de um processo de divórcio. "Precisava de encontrar alguma coisa que pudesse fazer a partir de casa, porque tenho dois filhos pequenos, e que não exigisse investimento", revela Filipa, que lançou a i4.com.pt - uma empresa de web design, sites, formação e outros projectos de internet.
Para o futuro, Filipa Coutinho já tem em mente um novo projecto online, paralelo à i4, que será dedicado a fornecer serviços de teletrabalho. "Há cada vez mais pessoas no desemprego, que se podem desenrascar na internet."
Exactamente o que fizeram Fernanda Pacheco e Elsa Henriques ao apostarem numa loja online para contornar uma situação de desemprego. Criaram a marca MyFirstShoes e lançaram o site há cerca de um ano, com design e fabrico 100% nacional, além da representação de uma marca sueca que é neste momento o principal chamariz do site. Todos os sapatos são pré--andantes, isto é, para bebés que ainda não andam.
"Acabámos por não sentir a crise porque já nascemos nela", salienta Elsa Henriques, adiantando que o objectivo da empresa é "crescer e aumentar as vendas", principalmente internacionais. Neste momento, a MyFirstShoes já tem um cliente no Canadá.
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