Novo Governo: obras, emprego e casamento gay são as prioridades

Publicado em 03 de Novembro de 2009   
Mãos às obras. Este podia ser o lema de um governo que aposta quase tudo no investimento público, acompanhado dos fundos estruturais europeus, para promover o crescimento económico e combatero desemprego. Assim a retoma volte em 2010. Veja documentos ao lado
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Comissão Europeia recomenda a definição de uma estratégia de consolidação orçamental
Obras, obras, obras. A política de betão não sai da cabeça de José Sócrates, por uma razão  evidente: o primeiro-ministro (e o seu novo ministro das Obras Públicas, António Mendonça) estão convencidos de que essa é a estratégia correcta para “relançar a economia e promover o emprego”, a grande prioridade do programa apresentado ontem no Parlamento. 
Nesta prioridade total dada às obras públicas, os socialistas não estão sozinhos: a maioria dos partidos da oposição, a maioria dos países europeus e os Estados Unidos seguem a mesma agenda. O TGV será adjudicado em Novembro, depois de ter visto o processo suspenso por razões exclusivamente eleitorais. E ainda ontem foi pré-adjudicada ao grupo Mota-Engil a auto-estrada do Pinhal Interior, que faz parte da chamada “terceira auto--estrada para o Norte”, contestadíssima pelo PSD durante a última campanha eleitoral.
Reduzir o “endividamento externo” também é uma das prioridades governamentais, mas o PSD não considera que seja esta a boa estratégia e ontem já ameaçou o voto contra ao Orçamento: o líder parlamentar, José Pedro Aguiar-Branco, afirmou que, se o Orçamento reflectisse o programa, o governo não podia contar com o PSD. Recorde-se que Marcelo Rebelo de Sousa, o líder “desejado” por esta facção, defende a abstenção do PSD no Orçamento de Estado.
A economia vai estar no centro das preocupações do governo: a crise e o desemprego não fizeram Sócrates perder as eleições, mas não conseguir a prometida ultrapassagem da crise pode travar as ambições de cumprir a legislatura por quatro anos, ou – no caso de eleições antecipadas – comprometer a renovação da maioria.
O casamento entre homossexuais vai avançar imediatamente e no programa entregue ontem, que é uma cópia do programa eleitoral, lá está o compromisso de “remover as barreiras jurídicas à realização do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo”. A “agenda da igualdade” faz parte das prioridades de José Sócrates e, sendo uma lei que provoca tensões mesmo dentro do próprio PS, a ideia é aproveitar o estado de graça com que qualquer governo em início de funções pode contar por parte da oposição e, o que é mais importante, do povo.
O que é que não sai também da cabeça de José Sócrates? A possibilidade de a oposição se unir para deitar o governo abaixo. Por isso mesmo, o discurso e a governação estão a ser acautelados para que, em caso de crise, a “responsabilidade” venha a ser atribuída à oposição e o PS possa tirar dividendos de eleições antecipadas.
Mas entre as ideias que José Sócrates ontem apresentou e vai acabar por abandonar está o processo de avaliação dos professores. O que consta do texto do governo é manter a avaliação, mas a “coligação negativa” da oposição vai obrigar o governo a governar com outro programa – ou seja, com outra avaliação. A regionalização, que estaria pronta para avançar, também vai depender da oposição.


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