Manuel Godinho falou pela primeira vez aos jornalistas para dizer que a audiência - que dura desde cerca das 11 horas - "está a correr normalmente". O empresário de Ovar, detido e principal arguido, no caso "Face Oculta" foi ouvido, esta manhã, no juizo de Instrução Criminal de Aveiro, nas instalações do DIAP local. A audiência prossegue durante a tarde, no mesmo local, onde Manuel Godinho já chegou, cerca de 15 minutos depois da chegada do advogado, Pedro Teixeira.
Godinho chegou a meio da manhã com elementos da Polícia Judiciária. À entrada não prestou declarações. O advogado, Pedro Teixeira, chegou dez minutos depois, mas também não quis falar com os jornalistas. A inquirição pelo juiz de instrução criminal deverá demorar várias horas até que sejam conhecidas as eventuais medidas de coação aplicadas ao empresário indiciado por tráfico de influências, corrupção e branqueamento de capitais num caso de crime economico-financeiro que já se destaca pela grande investigação desenvolvida pela Judiciária de Aveiro liderada pelo seu director, Teófilo Santiago.
Para já a investigação continua ainda com várias diligências e a eventual constituição de mais arguidos. A PJ está a investigar o rasto do dinheiro que contribuiu para a corrupção e o tráfico de influências no caso ‘Face Oculta’, em que foram constituídos 12 arguidos e um detido. Os investigadores querem perceber em que moldes e com que objectivos os montantes foram transaccionados. Em questão, estarão milhões de euros e uma das linhas de investigação é o financiamento partidário. A suspeita adensa-se desde o inicio da investigação, sendo que vários dos altos quadros de empresas e restantes arguidos foram apanhados em escutas.
É o caso de Armando Vara, ex-ministro e actual vice-presidente do BCP, um dos arguido. Foi apanhado a pedir 10 mil euros numa conversa com o empresário detido Manuel Godinho, por facilitar negócios. Vara era uma peça política fundamental na rede tentacular do empresário e recebeu o dinheiro no gabinete do BCP. Na rede contam-se ainda contam importantes elementos da GNR, Finanças, bancos portugueses e angolanos e políticos. Através desses elementos e de Vara, a quem oferecia vantagens patrimoniais e não patrimoniais, Godinho exercia influência ao mais alto nível para agilizar negócios.
No processo consta ainda a pretensão de Godinho tentar retirar a secretaria de Estado, da altura, Ana Paula Vitorino, e Luís Pardal, presidente da REFER, dos cargos. Após divergências judiciais - como o processo Carril Dourado - e pessoais com a REFER, Godinho tinha a vida complicada na combinação de negócios.
Nas escutas, as autoridades afloram o conhecimento de jantares onde se fala sobre possíveis conversas com o ex-ministro das Obras Públicas e Transportes, Mário Lino, a propósito das intenções de Godinho. A mega-operação da PJ, visou, na sua maioria, empresas públicas. No leque das visitadas estão a Refer, REN, a GALP, a PT, a EDP e CTT.
A sessão foi suspensa para almoço, por volta das 13h40, e deverá ser retomada à tarde.
*Exclusivo i/Grande Porto




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