Em Madrid até esta tarde, José Penedos, antigo secretário de Estado de Guterres e actual presidente da REN, será constituído arguido quando regressar a Portugal, no âmbito da operação Face Oculta. Fonte ligada ao processo que investiga suspeitas de corrupção e favorecimento da empresa O2 em concursos de empresas participadas do Estado confirmou haver indícios que envolvem José Penedos.
Contactado pelo i, o presidente da REN assegura estar "completamente tranquilo" e desconhecer todo o processo. Confrontado com informações de escutas telefónicas em que o empresário Manuel Godinho, ontem detido, oferece 270 mil euros ao filho, Paulo Penedos, para influenciar a renovação do contrato de gestão global de resíduos, José Penedos afasta suspeições. "Os contratos são todos auditáveis, em todas as circunstâncias. A REN respeita as regras da contratação pública e fá-lo-á sempre enquanto eu estiver na empresa", explica, acrescentando que toda a documentação é transparente e está à disposição das autoridades.
Quanto à constituição do filho, advogado da O2, como arguido, José Penedos foi parco em comentários: "O meu filho tem 40 anos e faz a carreira dele".
Já ontem outro antigo ministro de Guterres, Armando Vara - forçado a demitir-se devido ao escândalo da Fundação para a Prevenção e Segurança - foi envolvido no processo "Face Oculta". Pela sua posição de influência junto dos gestores públicos, terá tentado intervir nos concursos. É pelo menos nesse sentido que aponta uma escuta referida nos documentos que ontem acompanharam os mandados de busca. Terão sido oferecidos a Armando Vara dez mil euros para ajudar a O2.
A Polícia Judiciária deteve ontem Manuel Godinho, um dos proprietários da O2, e constituiu 12 arguidos suspeitos de participarem num "esquema organizado" de favorecimento da empresa, sedeada em Ovar. Foram feitas cerca de 30 buscas domiciliárias e em instalações da REN, Refer, Galp e EDP.
José Penedos é presidente da REN desde 2001. Entre 2003 e 2006, foi também membro do Conselho de Administração da Galp e entre 2004 e 2006 pertenceu ao Conselho de Administração da Gás de Portugal. Fez parte dos governos de António Guterres, primeiro como Secretário de Estado da Indústria e Energia e mais tarde como Secretário de Estado da Defesa.




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