Opinião

O núcleo duro de José Sócrates

por Adolfo Mesquita Nunes, Publicado em 26 de Outubro de 2009   
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A composição do governo deve ser analisada olhando para quem ficou, para quem foi promovido e para quem (não) entrou. Quanto a quem ficou, basta atentar nos sete primeiros lugares da hierarquia do governo para perceber que José Sócrates resistiu a alterar o carácter político dos principais ministérios. Quanto às promoções, foram apenas duas e ambas têm um fortíssimo cunho político: Jorge Lacão e João Tiago Silveira.
Quanto às entradas, todas elas vão ocupar ministérios colocados na base da hierarquia do governo. Mas há uma excepção. E ela explica-se politicamente e por si: Alberto Martins, que vai ocupar uma das pastas de topo.

Os novos nomes provêm do politicamente pouco arriscado universo da administração (Ambiente, Cultura, Agricultura e, em parte, Educação). As únicas entradas que fogem a este universo são as de Maria Helena André e António Mendonça. Temos por isso um governo que, com excepção destes dois nomes, não oferece qualquer abertura. Pelo contrário, o governo está centrado no politicamente estabelecido núcleo duro de José Sócrates e amparado por nomes de quadros intermédios da Administração. Trata-se, afinal de contas, de um governo fortemente apostado em sobreviver a uma maioria relativa (algo só possível com a saída de Santos Silva dos Assuntos Parlamentares). Veremos se a aposta é igualmente forte no cumprimento dos compromissos eleitorais.

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