Bernard Kerik
O herói do 11 de Setembro que se vendeu
por Nelma Viana, Publicado em 23 de Outubro de 2009
Foi o primeiro chefe da polícia a ser acusado e condenado. O julgamento é já para a semana
Bernard Kerik, de 54 anos, foi aclamado como um herói em 2001, pela sua "actuação exemplar" ao serviço da polícia de Nova Iorque, durante os atentados de 11 de Setembro contra as Torre Gémeas. No entanto, agora está preso e a aguardar julgamento por crimes fiscais.
Kerik foi acusado de vários crimes de corrupção e ontem foi apanhado de surpresa, quando o juiz responsável pelo seu processo, Stephen Robinson, revogou o pedido de fiança para ser libertado.
O montante estava fixado nos 500 mil dólares, mas o magistrado repensou a decisão depois de Kerik ter divulgado informações em segredo de justiça sobre o seu processo, com o propósito de desacreditar as acusações interpostas contra si. Robinson teve a tarefa dificultada por uma "combinação tóxica entre sarcasmo e arrogância". "Ele acha--se especial, mas não é. Acha que as regras são para os outros, que ele está imune, mas como podem ver não está", afirmou o juiz sobre a conduta de Bernard Kerik. Começando com estatuto de herói, acabou por se ver como réu, tornando-se o primeiro polícia na história de Nova Iorque a ser acusado.
curriculum vitae Bernard Keric foi abandonado aos dois anos pela mãe, que era prostituta. Não acabou o ensino secundário e dedicou-se à carreira militar. Foi ao serviço da brigada de narcóticos que co- nheceu o mayor Rudolph Giuliani.
Em 1993, o republicano contratou- -o como segurança e daí até ser promovido a comissário do sistema prisional passou apenas um ano. Em 2000, no sexto ano de mandato do presidente da câmara de Nova Iorque, Giuliani nomeou Kerik para chefe da polícia da cidade. "Parabéns, acabaste de contratar o Rambo", diziam-lhe os amigos. Kerik era conhecido por ser duro e "intocável". Em 2004 foi promovido a secretário da Segurança Interna pelo então presidente George W. Bush, mas seria demitido.
No mesmo ano foram tornados públicos os escândalos legais em que está envolvido: negócios com uma empresa de armamento, a contratação de uma imigrante ilegal como empregada doméstica e tráfico de influência com um grupo mafioso.
O julgamento está marcado para a próxima segunda-feira.
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