A ministra da Saúde recusou hoje comentar um estudo que aponta para gastos do Estado na ordem dos 67,5 milhões de euros na compra de vacinas, por considerar que Portugal está ainda "numa fase muito precoce da epidemia".
"Eu não iria fazer comentários sobre esse valor, penso que é muito precoce estarmos a fazer comentários", declarou Ana Jorge aos jornalistas após o encerramento do encontro "Saúde Mental nos Cuidados de Saúde Primários: melhorar o tratamento e promover a saúde mental", na Fundação Gulbenkian, em Lisboa.
"Estamos ainda numa fase muito precoce da epidemia em Portugal, não sabemos o que vai acontecer, até porque a entrada das vacinas agora poderá vir modificar o comportamento da epidemia", disse a titular da pasta da Saúde, acrescentando que "todas as medidas implementadas até agora na área da prevenção tiveram os seus efeitos na disseminação da doença em Portugal".
Os impactos financeiros directos da gripe A nos custos do Estado já ascendem a 67,5 milhões de euros com a compra de vacinas, no valor de 45 milhões de euros, e do Oseltamivir, no valor de 22,5 milhões de euros.
O Governo gastou este ano 45 milhões de euros na compra de seis milhões de doses de vacinas contra a gripe A à Glaxo Smith Kline (GSK) e gastou, nos últimos três anos, 22,5 milhões de euros na compra do anti-viral Oseltamivir à Roche, inicialmente destinado ao combate à gripe das aves.
Por apurar estão ainda os custos indirectos, dependendo da evolução da pandemia, mas um estudo efectuado pela Deloitte, em colaboração com a Intelligent Life Solutions, refere que os custos para o Estado estão estimados em 330 a 500 milhões de euros.
O ministro do Trabalho, Vieira da Silva, tinha previsto que o alargamento da baixa médica a situações de isolamento devido à gripe A (H1N1) pudesse ter um impacto até 70 milhões de euros na Segurança Social.
Ana Jorge garantiu ainda que não haverá atrasos na entrega das vacinas da gripe A em Portugal e que estas chegarão a tempo de iniciar a vacinação a 26 de Outubro.
"Aquilo que eu disse sobre as vacinas da gripe foi que estas iriam começar a chegar a Portugal e que estariam disponíveis a partir do dia 12 de Outubro, mas que Portugal não as iria ter nessa altura, só as iria receber mais tarde por razões logísticas e só ao fim das primeiras duas semanas da sua produção é que chegariam a Portugal a tempo de começarmos a vacinação no dia 26", explicou a ministra da tutela.




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