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Elisa Ferreira: "Rui Rio tem o apoio de 6 milhões de benfiquistas"

Publicado em 08 de Outubro de 2009   
Candidata independente à Câmara do Porto, apoiada pelo PS, Elisa Ferreira diz que Rui Rio só é conhecido a nível nacional pela agressividade contra o FC Porto
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Rui Rio não apresenta nada de novo, garante Elisa Ferreira
Ao fim de cinco anos no Parlamento Europeu, Elisa Ferreira, candidata independente à Câmara do Porto apoiada pelo PS, quer assumir os destinos da cidade onde nasceu há 53 anos. Diz que o Porto está em queda por culpa de Rui Rio. Promete uma nova força para a cidade e uma relação diferente com as principais instituições. Como o FC Porto, que, com ela, pode voltar a festejar os títulos na varanda da Câmara.

Se pudesse voltar atrás tinha ido a votos nas europeias?

Claro que sim. Arrepender-me--ia muito de aparecer no Porto como alguém que vem para aqui porque não tem mais nada que fazer. E tinha muito receio de, apesar de ser professora na Faculdade de Economia do Porto, uma vez que as pessoas me reconhecem como deputada europeia, transmitir a ideia de que vinha para o Porto porque não tinha alternativa. Deixo o que estou a fazer por amor ao Porto. Esta é a força da minha candidatura e por isso é que fui tão atacada.

Mas os portuenses ficaram esclarecidos?

Acho que sim. E aquela expressão que tentaram polemizar [a "gamela" do Parlamento Europeu] foi dita pela senhora do Bom Sucesso, não por mim. E isso ilustra bem que o povo percebeu. Agora vamos ver por que razão Rui Rio diz que está a 100% na cidade e vamos ver se não é até Maio. Ainda em Junho deste ano disse que avaliou com Manuela Ferreira Leite "quem estava em melhor situação" para se candidatar à presidência do PSD.

Espera uma vitória-surpresa, como a de Rui Rio em 2001?

Não quero antecipar isso, mas não acho que seja completamente descabido, até porque há quatro meses atribuíam-me 30 pontos brutos de diferença, há duas semanas dez e agora seis. Mas é evidente que o facto de Rui Rio ter rejeitado um debate a dois, ao contrário do que aconteceu em Lisboa, reduzindo ao mínimo o tempo desse debate, e com a sobreposição das legislativas e das autárquicas, ficaram apenas duas semanas para discutir um programa.

Criar emprego é a sua prioridade número um. Como é que a Câmara pode combater um problema estrutural no país?

Eu proponho criar, já para o ano, mil bolsas para jovens licenciados, a consolidação das três zonas de acolhimento empresarial, onde podem ser instalados os ninhos de empresas que vão nascendo na Universidade do Porto. Acredito nas estratégias de desenvolvimento, que foi sempre aquilo que fiz na vida. É isso que me seduz. Mexer nas coisas e dinamizá-las. É fazer diferente e fazer bem.

Que é o que Rui Rio não tem feito?

Exacto. Não estamos a conseguir reter jovens, não estamos a conseguir reter emprego, tendo nós a maior universidade do país. Tive a oportunidade de ler em pormenor o programa do doutor Rui Rio e não há nada que combata esta situação. Acrescentou à última da hora aquilo a que chama "metas para uma cidade mais competitiva" e incluiu como terceira prioridade o emprego e a competitividade. Não tem nada de novo.

A cultura é outra das suas bandeiras. Consigo como presidente da Câmara não vai meter a mão ao bolso quando lhe falarem de cultura?

A cultura para mim nada tem a ver com subsidiodependência. A cultura é um bom investimento. A Câmara também tem um orçamento que é de subsídios. Só que a opção é subsidiar as corridas da Boavista, os espectáculos do La Féria.

Consigo o FC Porto volta a ter as portas da Câmara abertas?

Claro. O que estranho é que a relação entre a Câmara e o seu principal clube de futebol, que é também campeão nacional e promove a cidade internacionalmente, seja objecto de polémica. Estranho é que eu tenha ido visitar o bispo do Porto, o reitor da Universidade do Porto, a Misericórdia do Porto e não tenha havido comunicação social. Fui visitar o FC Porto e tinha uma mediatização como se fosse o Barack Obama. Quem beneficiou da agressividade da Câmara com o FC Porto? Foi o próprio Rui Rio, que passou a ter pelo menos o apoio de seis milhões de benfiquistas. Quem se portou impecavelmente? Foram os portistas, que disseram que uma coisa é futebol, outra é política e até o elegeram. Quem está neste momento a misturar futebol e política é o presidente da Câmara do Porto, que resolveu com essa agressão transformar-se numa figura mediática nacional. Rui Rio é mais conhecido por alguma coisa que não seja a agressividade com o FC Porto? O que é que o fez um grande político nacional?


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