Livros

Bolañomania chega a Portugal com margaritas e Soraia Chaves

por Joana Stichini Vilela, Publicado em 25 de Setembro de 2009   
"2666" foi livro do ano nos EUA e fenómeno editorial no resto do mundo
Bolaño não viveu para conhecer o sucesso de romances como
A festa promete. Hoje, a partir das 23h00, há margaritas e "acepipes temáticos" na livraria Ler Devagar/LX Factory, em Lisboa. O escritor José Eduardo Agualusa vai ler em voz alta. As sensuais actrizes Soraia Chaves e Carla Bolito também. Mais tarde, o DJ irmaolucia dá rock à discoteca MusicBox, no Cais do Sodré. Tudo por causa de um lançamento de um livro. Que ainda por cima tem mais de mil páginas. Mais: que na opinião de muitos críticos é uma obra--prima ao nível de "Ulisses" de James Joyce. Já referimos que as Livrarias Bertrand oferecem um notebook e a livraria online Wook uma T-shirt às primeiras reservas do dito?
LITERATURA BEST-SELLER
"Bolaño, Bolaño, Bolãno, Bolaño: meu filho da puta, meu cabrão, meu génio", desabafou o crítico literário José Mário Silva no blogue bibliotecariodebabel.com "dez segundos" depois de acabar de ler o calhamaço. "Os primeiros nove segundos foram de silencioso êxtase", acrescentou. O entusiasmo só espanta quem não deu pelo fenómeno que domina o mundo literário desde 2004 e que agora chega a Portugal, "2666".
A obra póstuma do chileno Roberto Bolaño assinala um raro momento em que críticos e público partilham leituras. Nos EUA despoletou uma verdadeira Bolañomania. Depois do sucesso de "Os Detectives Selvagens", ocupou os primeiros lugares da lista dos mais vendidos do "The New York Times". Oprah Winfrey recomendou-o. E quatro meses depois de ter sido editado foi considerado o melhor do ano na ficção pelo Círculo Nacional de Críticos Literários.
"Mostra uma visão sexy e apocalíptica da história", apreciou o júri. "Junta-se a "Moby Dick" (Herman Melville) e a "Meridiano de Sangue" (Cormac Mc-Carthy) na análise mordaz e caleidoscópica do mal."
FORA-DA-LEI
Bolaño não conheceu este sucesso planetário. Morreu um ano antes da publicação de "2666", de insuficiência hepática. Diz-se que fora viciado em heroína e tinha hepatite C. Em novo, apresentava-se como "poeta e vagabundo". Viveu no México - onde fundou o movimento poético "infra-realista" - e depois rumou à Catalunha. Sobrevivia à custa de trabalhos ocasionais e só assentou quando foi pai. Casou-se e passou a escrever ficção para se sustentar.
Quando começou "2666", já era um dos grandes da literatura sul-americana, herdeiro de Borges e de Cortázar. Também sabia que ia morrer. Queria assegurar a segurança financeira da família com uma obra em cinco volumes, que por decisão póstuma dos editores e da família saiu num só - monumental.
ARCA DE BOLAÑO
Sabe-se agora que o escritor deixou um arquivo recheado de tesouros inéditos. "O Terceiro Reich", o primeiro, sai já em Fevereiro.


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