Educação
Permuta de professores. Muitos tentam, poucos conseguem
Publicado em 22 de Setembro de 2009
Quem decida trocar perde automaticamente o direito de ir ao concurso seguinte
Há professores que nem sequer sabem que o podem fazer. Outros já tentaram mais do que uma vez sem sucesso. Desde 1992 que é permitido aos professores trocarem de colocação com outros colegas. Basta para isso encontrar alguém que queira o lugar de que se querem ver livres. Problema: é muito difícil encontrar alguém que tenha um interesse exactamente contrário ao seu. Encontrar um professor que tenha conseguido fazer uma permuta é como procurar uma agulha num palheiro.
Na esmagadora maioria dos casos, a razão para a permuta tem a ver com o local da colocação, normalmente demasiado afastado da área de residência. No ano passado, Ângela Cardoso tentou fazer uma permuta para passar de Lisboa para o Porto. "Não obtive qualquer resposta directa, mas depois, através de concurso, consegui ir para onde queria." Noutras situações, como a de Marta Silva, o descontentamento não está relacionado com o estar longe de casa. "Fiquei colocada no Bairro da Boavista. As pessoas respondiam ao anúncio, mas, quando descobriam que zona era, recusavam", recorda. "Acabei por ficar e ter a pior experiência da minha vida."
O processo de permuta é feito através das direcções regionais de educação, que têm a responsabilidade de verificar se a troca entre os dois professores é compatível. No entanto, para agilizar a procura de um colega interessado, os professores organizam-se em blogues e fóruns, mas principalmente através do site http://permutas.pt.vu, onde já estão 6803 professores registados, com quase 14 mil pedidos de permutas.
Apesar de os pedidos não serem poucos, é muito difícil encontrar histórias de sucesso. O que não impede que elas existam. Marco Monteiro e Jacinta Marta não usaram o site, mas isso não os impediu de conseguirem trocar de lugar este ano. Marco tinha sido colocado no Porto, na turma a que Jacinta tinha dado aulas, enquanto Jacinta ficou na escola onde a mulher de Marco, também professora, trabalhava, perto da Trofa. "Foi uma coincidência muito grande. Calhou a mulher dele dizer numa reunião que ele não estava contente com a colocação e eu propus logo a troca", conta Jacinta Marta. "Para mim, foi muito bom, porque fiquei perto de casa e com a minha antiga turma."
Como se trata de dois professores contratados, não se considera ser uma permuta, mas sim uma troca. Todo o processo levou menos de uma semana. "Depois de pedirmos autorização aos nossos dois agrupamentos, fomos propor a troca à Direcção Regional de Educação do Norte e quatro dias depois estava resolvido", lembra Marco Monteiro.
Ambos têm noção da sorte que tiveram e consciência de que a realidade de grande parte dos professores é bastante diferente. Lúcia Pedrosa, por exemplo, está colocada a 420 quilómetros de casa. Há três anos ligaram- -lhe para tentar coordenar uma permuta mas, apesar de estar longe o começo das aulas, como o pedido foi feito 15 depois do prazo já não conseguiu mudar. "A legislação não está actualizada. É de 1992 e não está adaptada ao concurso actual", diz Lúcia.
Uma queixa que já chegou aos ouvidos de Anabela Delgado da direcção do Sindicato de Professores da Grande Lisboa. "O novo estatuto de 2007 remete para uma portaria que ainda não saiu, pelo que é usada a de 1992", afirma ao i. Outro dos problemas tem a ver com a obrigatoriedade de permanecer cinco anos na escola para onde se permuta. Como os concursos de professores se fazem agora de quatro em quatro anos, se alguém fizer uma permuta perde automaticamente um concurso.
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