Dublin no futuro de Barroso

por Bernardo Pires de Lima, Publicado em 17 de Setembro de 2009   

Durão Barroso garantiu a reeleição, mas o mandato só começa quando os irlandeses ditarem o futuro do Tratado de Lisboa. O argumento é este: as propostas e o papel de Barroso terão alcances distintos em função do quadro político que o referendo irlandês forjar. Caso o "não" ganhe, as figuras de presidente do Conselho e "ministro dos Negócios Estrangeiros" ficam adiadas (como os alargamentos), o que torna Barroso o protagonista dos maiores desafios europeus: aprofundamento do mercado interno - restituindo confiança às economias - e fortalecimento da posição da UE no mundo. Será crucial o papel no G20 e em Copenhaga, sobre alterações climáticas. Falamos de competitividade global: o mundo não lerá nem esperará pelo Tratado de Lisboa. Mas se o "não" traz aparentes vantagens a Barroso, o "sim" dava-lhe sucesso sustentado. Ter um presidente do Conselho forte (Blair?) - mesmo sem orçamento - e compatível com as suas ideias, daria dimensão política às propostas. Ter um MNE capaz e pragmático (Bildt?) - e membro da Comissão - permitia-lhe negociar com firmeza no plano internacional, dando-lhe maior margem no plano interno. Resta saber se Sarkozy continuará a pregar-lhe rasteiras e se a esquerda alemã (provavelmente na oposição) lhe facilitará a vida.

Investigador universitário



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