Opinião

Comentário ao debate Sócrates - Ferreira Leite

por Martim Avillez Figueiredo, Publicado em 12 de Setembro de 2009   
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Há um livro muito célebre na (também célebre) Wharton School of Business cujo nome diz tudo: Will you next mistake be fatal? Nesse livro recordam-se casos concretos em que grandes companhias e grandes gestores cometeram erros que levaram as suas empresas a perder milhões. Quase no final do livro encontra-se um pequeno manual de erros comuns – daqueles que todos cometem mais cedo ou mais tarde. Um deles diz respeito a este debate: “O nosso produto é superior”.
O que este erro (comum) diz é que muitos gestores acreditam tanto no seu produto que desvalorizam o produto da concorrência. Manuela Ferreira Leite acredita muito no seu produto: o tal produto que ela explicou (logo no arranque do debate) ser fruto de uma já longa vida forrada de experiência e feitos académicos e profissionais. Sucede que José Sócrates tem produto – sabe falar do que quer e vender com eficácia o que deseja que os outros oiçam. Concluir-se-ia em Wharton: Manuela Ferreira Leite desprezou o produto do adversário.
Os mesmos analistas iriam, então, procurar os pontos da concorrência: e aí José Sócrates revela que o seu produto tem muito marketing. Isso não é mau: mas é o que é. Quando se vende um produto dizendo que tem propriedades terapêuticas e, na verdade, não tem – o produto acaba por morrer. E em Wharton não passaria despercebido que Sócrates vendeu um produto que não descreve tudo o que é: ele é assertivo, ele é trabalhador, mas ele também é o primeiro-ministro português que mais casos tem a atacar a sua personalidade. E isso, isso tudo, é que faz o produto. Claro: em Wharton também não esqueceriam que, na busca de um produto primeiro-ministro, as pessoas querem energia, capacidade de liderança – e isso Ferreira Leite não revelou (Sócrates conduziu o debate, aliás).
Mantendo o raciocínio em Wharton, seria preciso agora analisar o consumidor do produto – no caso, os telespectadores. Nem todos são eleitores indecisos – os que gostam de Sócrates ficaram com ele no debate, os que gostam de Ferreira Leite (e conhecem as suas limitações públicas) ficaram do seu lado no debate. Sucede que os indecisos vivem em Portugal – e por isso conhecem as histórias que Ferreira Leite se esqueceu de sublinhar: a TVI, o veto ao negócio da PT, as constantes dúvidas na justiça, o disparate do diploma. Somarão a isso o desemprego, as reformas, os professores. Pode ser injusto para Sócrates, mas lá no fundo serão estas coisas a decidir estas eleições. Isto é: os portugueses indecisos vão decidir se essas coisas chegam para tirar o poder a Sócrates. Porque os que votam Bloco, PP ou CDU já o decidiram. Ou seja, os que sobram não votarão com convicção em Manuela Ferreira Leite: poderão votar com convicção contra esse José Sócrates. Manuela Ferreira Leite, já aqui se escreveu, está convencida que este raciocínio (aqui explicado) lhe entregará o poder. Vamos ver no dia 27 de Setembro.


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