Afundar navios no Algarve não é loucura. É a chave para abrir um museu

por Joana Azevedo Viana, Publicado em 07 de Setembro de 2009   
Do museu Musubmar farão parte quatro navios de guerra da Marinha, marcados para abate. O investimento de dois milhões de euros promete atrair 89 mil turistas no primeiro ano
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A Organização Mundial de Turismo vê um potencial de crescimento inigualável no turismo subaquático
Faz lembrar o tempo das descobertas e dos tesouros escondidos no fundo do mar. Uma fantasia de barbatanas e óculos de mergulho, nascida em Portugal de gente grande para gente de todas as idades - a uma assinatura de distância de se tornar realidade. Chama-se Musubmar e quer sobretudo atrair um nicho do mercado turístico para a região do Algarve. "É um projecto inovador, diferente; é a oportunidade de explorar as centenas de quilómetros de costa que Portugal tem por explorar", explica ao i o coordenador do projecto, Luís Sá Couto.

A iniciativa partiu do mergulhador e administrador da Subnauta, com o apoio da empresa Ocean Matters, que explora maneiras de desenvolver a economia do mar. Para os envolvidos, o Musubmar representa, para além de um grande potencial de desenvolvimento do turismo subaquático, a oportunidade de "afundar" um museu que guarde a história da Marinha de Guerra Portuguesa.

Para isso, os coordenadores precisam de quatro navios de guerra que, de outra maneira, serão abatidos. O primeiro passo é afundá-los, a duas milhas da costa de Portimão e a 30 metros de profundidade. "Estamos interessados num navio de patrulha, numa corveta, numa fragata e num navio hidrográfico, que serão limpos de todos os materiais perigosos antes de serem submergidos", explica Rui Mourinha, da Ocean Matters.

"É um projecto único que traz alternativas ao sol, à praia e ao golfe, que é o que as pessoas estão habituadas a fazer no Algarve", acrescenta Sá Couto. "As pessoas querem mudar e esta é uma forma espectacular de o fazer", remata.

Mercado de oportunidades Não é de estranhar que a ideia tenha partido de um administrador de uma escola de mergulho. A Subnauta é o maior centro de mergulho do Algarve e Luís Sá Couto, o administrador, quer estender a sua paixão pelo mar a um mercado que a Organização Mundial do Turismo (OMT) estima ser o maior em expansão na área. Segundo os últimos dados da OMT, o segmento do turismo subaquático representa, mundialmente, ganhos entre 2,8 e 4,3 milhões de euros por ano, repartidos pelos cerca de 8 milhões de mergulhadores certificados activos - que, em média, realizam uma viagem por ano à procura de novos recifes.

A OMT e os aficionados da modalidade vêem no turismo subaquático as potencialidades que o esqui alpino tinha há alguns anos - hoje plenamente desenvolvidas. "O esqui era um desporto elitista, que envolvia muito dinheiro em equipamento e afins, mas actualmente está praticamente globalizado", explica Mourinha. "As pessoas foram- -se interessando e hoje viajam para sítios com boas ofertas, porque ficaram fãs da modalidade ou porque querem aprender", completa.

Batalha Naval Neste momento, o sonho de abrir o primeiro museu subaquático do país - que permitiria explorar a fundo o interior dos navios de guerra portugueses - está suspenso de uma assinatura. A Subnauta e a Ocean Matters já tiveram luz verde de todas as autoridades, nomeadamente da Marinha de Guerra Portuguesa (a cargo da qual estará a limpeza e imersão dos barcos), do Instituto de Investigação das Pescas e do Mar e da Administração da Região Hidrográfica do Algarve. A própria Câmara Municipal de Portimão vê grande interesse no projecto.

Contudo, o Musubmar não pode ganhar forma antes de o Ministério da Defesa assinar a cedência dos quatro navios de guerra. Contactado pelo i, o Ministério explicou as razões do atraso da assinatura. "Encaramos com bons olhos este tipo de projecto, mas existem vários interessados nos navios em questão." Está a ser estudado "o modelo que permita enquadrar melhor estas solicitações".

Se o projecto for considerado o melhor, os navios serão doados à Câmara Municipal de Portimão e um investimento privado de dois milhões de euros - sem encargos para o Estado - poderá começar a dar frutos. Será o início de uma rota que se prevê que traga 89 mil turistas subaquáticos ao Algarve, em 2018 - data prevista para as primeiras aventuras no fundo do mar.



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