Finanças pessoais

Quer comprar carro? Hipoteque a casa

por David Almas, Publicado em 07 de Setembro de 2009   
O crédito hipotecário também pode ser usado para comprar um carro. As taxas de juro ficam bastante mais baixas do que nas alternativas
Opções
Usar o crédito da casa para comprar um carro tem benefícios
Crédito automóvel, ALD, leasing, crédito pessoal - são estas as modalidades que a maioria das famílias analisa quando planeia comprar um carro novo. Todavia, não são as opções mais baratas. Se tiver uma casa para hipotecar consegue baixar várias dezenas de euros o custo mensal. No sistema financeiro português, o crédito hipotecário é tradicionalmente o mais barato. Logo, se tiver um imóvel que possa apresentar como garantia, o spread que o banco lhe cobra é bastante mais baixo. Ao contrário do que muitos pensam, o crédito hipotecário não tem de se destinar à compra de casa.

Uma família que queira comprar um carro de 25 000 euros, como por exemplo um Volkswagen Golf 2.0 TDI, que tenha apenas 5 000 euros, mas que conte com um imóvel hipotecável no seu património, pode contratar um crédito hipotecário com a maioria dos bancos.

Às taxas de juro actuais, um crédito a cinco anos de 20 000 euros com um spread de 0,8% resulta numa prestação mensal de 348 euros. Valor mais baixo que as soluções de crédito automóvel ou de ALD. Se a família não tiver outros créditos de grandes dimensões e se for boa cliente do banco, é natural que o spread seja mais baixo, o que pode levar a prestação do carro a descer mais alguns euros.

Infelizmente, nem todas as famílias têm imóveis para hipotecar, porque já têm a primeira casa ligada a um crédito à habitação. Mesmo assim, é possível alcançar uma prestação do carro mais reduzida. Como? Basta pedir um aumento do crédito que já se tem, desde que se tenha cuidado.

Se já passaram vários anos desde a celebração do contrato de crédito à habitação, é possível voltar a pedir o dinheiro que já foi entretanto amortizado. Por exemplo, quem conseguiu um financiamento de 150 000 euros há cinco anos tem actualmente margem para pedir mais 20 000 euros. O risco de fazer isso é acabar por pagar mais juros.

Ao aumentar o crédito 20 000 euros, uma família que tenha uma dívida actual de 100 000 euros que vence dentro de 30 anos acrescenta 75 euros à prestação mensal da casa. Contudo, essa decisão também aumenta os juros que pagará ao longo dos 30 anos cerca de 7 000 euros. Por isso, se quiser optar pelo alargamento do crédito da casa, trace um plano de amortização. Pode, por exemplo, poupar 275 euros por mês (ficando o custo mensal do carro em 350 euros) que servirão para amortizar o crédito em 3300 euros por ano. Só assim consegue não pagar mais juros no final do prazo do empréstimo para compra da casa (e, agora, do carro).

Penhore o PPR Se precisar de menos de 20 000 euros para comprar o carro poderá ter dificuldade em contratar um crédito hipotecário. São poucos os bancos que negoceiam este tipo de financiamento para valores inferiores. Além disso, o processo deste tipo de crédito é moroso, podendo demorar dois meses até estar completo. Porém, pode conseguir o efeito de redução do spread dando outra garantia ao banco, em vez de um imóvel. Se tiver uma aplicação financeira estável - um plano de poupança-reforma, uma conta de poupança-habitação ou outro produto de aforro de longo prazo -, a instituição financeira pode aceitá-la como penhor, baixando-lhe o custo mensal do crédito. Este tipo de garantia resulta da negociação particular com o banco, por isso terá de testar se lhe compensa.

Só depois de esgotar a possibilidade de crédito hipotecário ou com penhor é que as famílias devem partir para as restantes opções: leasing, ALD e crédito automóvel.

O leasing ou locação financeira tende a ter taxas de juro mais baixas, mas a propriedade do automóvel fica no banco ou na entidade financeira locadora. O aluguer de longa duração (ALD) é semelhante, mas costuma ter taxas superiores e não há registo do locatário na conservatória automóvel. A desvantagem destas modalidades, além da família ficar sem a propriedade, é ter de fazer obrigatoriamente seguros de danos próprios, o que eleva os custos mensais associados ao carro. Para os evitar terá de optar por um crédito automóvel, que até pode não ficar muito mais caro se já tiver outros produtos no banco, como o crédito à habitação ou algumas poupanças.

As regras-base das finanças pessoais são todas válidas na compra do carro, isto é, depois de o escolher, vá a vários stands à procura dos maiores descontos (não se surpreenda com reduções até 10% sobre o preço de tabela). E, posteriormente, vá a várias instituições de crédito simular todas as suas opções, a começar pelo crédito hipotecário, se lhe for possível.


Qual a sua reacção:
Tem mais informações sobre esta notícia?
Conte a sua história. Seja um iRepórter.

Comentários

Dê a sua opinião