Figueira da Foz

SOS Cabedelo: surfistas querem salvar ondas ameaçadas por obras

por Agência Lusa, Publicado em 31 de Agosto de 2009   

As ondas da praia do Cabedelo, Figueira da Foz, palco de competições internacionais de surf e uma das melhores da Europa, estão a ser ameaçadas pelas obras no molhe do porto comercial, alertam os surfistas.

A denúncia levou já à criação de um movimento cicívio, o SOS Cabedelo, que visa defender a zona considerada de “excelência” no panorama do surf mundial, disse à Agência Lusa Eurico Gonçalves, porta-voz da comissão.

“Acima de tudo estamos contra a obra não ter contemplado no seu Estudo de Impacte Ambiental o surf. É muito frequente, nestas obras da orla costeira, o surf ser esquecido e, neste momento, é uma actividade de extrema importância para o turismo e economia das autarquias”, alegou.

Pela manhã, na praia do Cabedelo, na margem sul do Mondego, a reportagem da Lusa constatou que as condições atmosféricas, com vento fraco do quadrante leste, indiciavam um excelente dia de surf, quadro confirmado pelo actual campeão nacional de ‘longboard’ e promotor do SOS Cabedelo.

“As ondas estão perfeitas, só que, como não existe banco de areia, rebentam todas ao mesmo tempo”, sublinhou Eurico Gonçalves.

A situação, argumentou, deve-se à obra de prolongamento do molhe norte do porto da Figueira da Foz, que, por um lado, “envia a onda mais para o meio da praia” e, por outro, “impede a chegada da areia” ao Cabedelo.

“E o surf depende muito da criação de bancos de areia. O que podemos constatar é que é um péssimo dia de surf quando as condições seriam as ideais para a prática da modalidade”, frisou.

Lembrando que a praia do Cabedelo recebeu, por quatro vezes, a elite do circuito mundial de surf, o movimento cívico assume-se “preocupado” com o eventual desaparecimento da onda, “uma das mais consistentes da Europa”, a exemplo do que já sucedeu no Cabedelinho, praia situada entre os molhes norte e sul da barra do Mondego.

Mais resguardada, com características de “abrigo de porto” e habitualmente utilizada por escolas de surf na aprendizagem, a onda do Cabedelinho “servia de refúgio” em dias de tempestade, aos surfistas da região.

“Essa onda deixou de existir e nós não queremos que aconteça o mesmo à onda do Cabedelo”, alertou Eurico Gonçalves.

O movimento cívico defende a implementação “imediata” de um ‘bypass’ no molhe - com recurso a uma bomba semelhante à das dragas e um ‘pipeline’ - para bombear areia de Norte para Sul.

A solução, advoga, é habitualmente utilizada para manter o transporte natural de sedimentos, interrompido por molhes, em países com tradição no surf, como a Austrália e África do Sul.

O SOS Cabedelo tem em curso a campanha “Não deixes morrer esta onda”, que inclui um abaixo-assinado e, entre outras iniciativas, o “Dia das Ondas”, previsto para Setembro.

“Vai ser um evento para celebrar as ondas. Não é só o surf que está em causa, através da erosão costeira estão em causa as praias e as casas das famílias, várias situações que precisam de ser ponderadas e revistas”, afirmou Eurico Gonçalves.



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