Caim e Abel segundo José Saramago

por Tiago Pereira , Publicado em 28 de Agosto de 2009   
Próximo livro do Nobel da Literatura é nova viagem por temas religiosos. O romance é publicado em Outubro
Saramago escreveu
José Saramago tem um novo livro, "Caim", em que o irmão transformado em assassino depois de matar Abel é redimido perante Deus. É o regresso aos escritos com a religião como protagonista, quase duas décadas depois de "O Evangelho segundo Jesus Cristo", mas está longe de representar um reencontro ou uma descoberta pessoal. Saramago assim o explicou à agência noticiosa espanhola EFE: "Deus não é de confiança. Que Deus é este que para enaltecer Abel despreza tanto Caim?"

O novo livro já tem roteiro delineado: vai passar em primeiro lugar pela Feira do Livro de Frankfurt, em Outubro, para chegar no final do mesmo mês a Lisboa, onde será apresentado oficialmente. A curta revelação feita pelo autor fala numa nova incursão na Bíblia, momento "irreverente, irónico e mordaz", que não deverá ser alvo de contestação como "O Evangelho..." na altura da sua publicação (em 1991, vetado para as listas para o Prémio Europeu de Literatura). A pergunta feita a Saramago falava na hipótese de uma "nova crucificação" do escritor. A resposta: "Alguns talvez o façam mas o espectáculo será menos interessante. Os católicos não lêem o Antigo Testamento. Se os judeus tiverem uma reacção, aí já não me surpreendia. Mas não compreendo como é que o povo judeu fez deste o seu livro sagrado. É um conjunto de absurdos, produzido ao longo de gerações e gerações."

José Saramago terá iniciado a escrita de "Caim" em Dezembro de 2008, para terminar a tarefa quatro meses depois. Não entendamos o resultado final como uma epifania após a recuperação de um período de doença. "Tenho assumido que Deus não existe, portanto não foi esse o meu recurso durante a gravíssima situação em que me encontrei." Saramago assim o explicou, recordando que "Caim" é novo fruto de "um período de muita inspiração".

No blogue de Saramago (blog. josesaramago.org), a sua mulher e tradutora, Pilar del Río, apresentou o livro como "uma nova abordagem a um tema muitas vezes tido como intocável", com Caim, Deus e a humanidade como personagens principais.


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