Jacqueline Ruas: deram-lhe Tamiflu mas não tinha gripe A - morreu no avião
por Rosa Ramos, Publicado em 15 de Agosto de 2009
Adolescente brasileira de 15 anos recebeu uma prenda de sonho: uma viagem à Disney. Jacqueline Ruas morreu no regresso
Tinha 15 anos e um sonho antigo: conhecer a Disney World, em Orlando, nos Estados Unidos. Quando fez anos, os pais ofereceram-lhe a viagem - uma excursão de 12 dias. Jacqueline Ruas partiu com as amigas num grupo de 29 adolescentes. E morreu na viagem de regresso. O sonho foi interrompido e o caso emocionou o Brasil, onde é tradição os pais enviarem os filhos para a Disney nas férias escolares. É como que o primeiro teste à autonomia das crianças.
Enquanto esteve na Disney World, Jacque telefonou todos os dias à família. "Estava muito feliz e tinha comprado presentes para todos", relata ao jornal "O Globo" a tia-avó, Helena Ruas. Na terça-feira, Jacque sentiu-se mal e vomitou. Foi medicada com Tamiflu num hospital da Florida, apesar de as análises à gripe A terem dado negativo.
No sábado, a adolescente embarcou num avião de regresso ao Brasil. O voo fez escala no Panamá e Jacqueline sentiu-se tão mal que teve de ser transportada de cadeira de rodas. Laryssa Francisco, de 14 anos, vinha sentada ao lado de Jacque e garante que as últimas horas da adolescente foram de grande sofrimento. "Sentiu-se mal durante toda a viagem e pediu ajuda várias vezes, mas não recebeu auxílio", conta. A dada altura, Jacque já não conseguia comer.
As amigas tentaram alimentá-la, mas ela recusou. Pediu para pararem e adormeceu. Não voltou a acordar. Quando a tripulação se apercebeu de que a rapariga já não respirava, dois médicos que estavam a bordo tentaram reanimá-la. Foi colocada no corredor do avião. "Tiraram-lhe os sapatos. Os pés estavam brancos e gélidos. Todos começaram a chorar. Ninguém disse nada, mas percebemos que estava morta", recorda a amiga.
Já no Brasil, o corpo de Jacque foi levado para o Instituto de Medicina Legal. O funeral aconteceu na segunda-feira.
A verdade da morte Fernanda Carolino, outra das jovens que participaram na excursão, conta que, no embarque nos EUA, uma guia da agência Tia Augusta (que organizou a viagem) pediu à jovem "para colocar óculos de sol e se maquilhar para ninguém perceber que estava doente e para não ser barrada à entrada do avião". A agência nega todas as acusações, mas a família da jovem anunciou que vai processar a empresa por considerar que houve "uma sucessão de negligências". Até porque os pais garantem que nunca foram informados do facto de a filha tinha sido hospitalizada. "Só ligaram três dias depois e disseram que estava com gripe, como colegas de viagem", contou a mãe, Maria Aparecida Ruas, num programa de televisão da Rede Globo.
A autópsia ao corpo de Jacqueline revelou que a jovem morreu devido a insuficiência respiratória: broncopneumonia e derrame pleural. A polícia encontrou Tamiflu na bagagem e continua a investigar as circunstâncias da morte. Especialistas garantiram à revista "Veja" que, se a jovem tivesse sido vista por um médico na escala do Panamá, "estaria viva". Outro dos sonhos de Jacque era ser líder de claque. Em Outubro ia estrear-se na equipa da sua escola, em São Caetano do Sul (São Paulo).
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