PRIMEIRO PLANO

Impressões americanas

por Jaime Nogueira Pinto, Publicado em 11 de Agosto de 2009   
A História não só não acabou como está de regresso. Depois da aventura neocon no Iraque, o teatro de operações é agora o Afeganistão
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Obama fez do Afeganistão prioridade em parte devido ao Paquistão
De 1 a 8 de Agosto fiz férias americanas. Cheguei a Nova Iorque e, aproveitando o domingo de chuva, passei quatro horas no Metropolitan a ver a exposição do Francis Bacon, as esculturas do Gaudens e a rever a pintura americana contemporânea. Depois estive em Caucus Bay no Maine e em Greenwich, Connecticut.

Gosto da paisagem da Costa Leste de grandes árvores e florestas, de rios que serpenteiam como os dos filmes, das enseadas, cabos, ilhas, docas e faróis iguais aos dos quadros impressionistas.

Os amigos que visitei são republicanos da velha guarda - isto é realistas, conservadores, pouco sensíveis à Obamamania. Mas reconhecem o charme e a retórica do presidente, capaz de abranger, num discurso que é sobretudo forma, quase tudo e quase todos. E que tem curiosas nuances funcionais: os homens-chave da área militar - Robert Gates e o general Jones - estão longe de ser o protótipo do multilateralista onusiano ou unesquiano, apreciado pelos europeus correctos.

Porque a História não só não acabou como está de regresso. Depois da aventura dos neocons no Iraque, o teatro de operações é agora o Afeganistão - e as zonas tribais do Paquistão, onde se acoitará (?) Bin Laden, de quem nos lembramos quando temos de tirar os sapatos e o cinto nos aeroportos?

Estranho mundo. O Iraque é um estado repartido por raça e religiões em três grupos, mas é um estado, com uma base urbana, cidades, classe média, órgãos centrais de poder. O Afeganistão é um conglomerado de tribos, regiões e senhores da guerra, cuja estatalidade é duvidosa hoje e no futuro.

Obama decidiu que o Iraque era a "guerra má" e o Afeganistão a "guerra boa". Pode fazer algum sentido, na medida em que protege dos talibãs o importantíssimo Paquistão. Mas com umas eleições presidenciais à porta, eleições em que há quarenta candidatos mas um único com probabilidades - o presidente Kharzai, protegido por setenta mil soldados estrangeiros - vamos ter outro folhetim desta ordem internacional pós-Guerra Fria, com a sua regra de eleições super omnia.

No meio desta história, os media deram, com reserva e euforia, a notícia da morte de Bitullah Mehsud, um dos chefes talibãs das redes bombistas suicidas que operam na fronteira paquistanesa e possivelmente o responsável pela bomba que matou Benazir Bhutto e pela que explodiu há um ano no Marriott Hotel de Islamabade.

Meshud terá sido liquidado por um míssil ar-terra, disparado a partir de um drone, operado pela CIA. Com ele morreram a mulher, os sogros e sete guarda-costas. Não devem ter dado por nada, até ao momento de acontecer. Como as vítimas de Mehsud, aliás.

Professor universitário

Escreve à terça-feira


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