Os dois cidadãos sírios detidos no campo de detenção de Guantanamo chegam a Portugal "ainda este mês", disse hoje o ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, adiantando que os dois indivíduos não têm qualquer relação familiar entre si.
Luís Amado afirmou também que "em princípio" estes serão os dois únicos detidos de Guantanamo que Portugal vai receber.
"Nós sempre dissemos dois a três. Não fechamos totalmente a porta a um terceiro", assegurou, acrescentando que, "a partir de agora, o Ministério da Administração Interna passará a acompanhar" este processo.
"Quando houver condições para que [os dois cidadãos sírios] venham para Portugal, vêm. A decisão está tomada", declarou Luís Amado, em Leiria, adiantando que os respectivos currículos serão anunciados "a seu tempo".
Os dois sírios, detidos em Guantanamo sem acusação formada desde 2002, "não são pai e filho", nem têm qualquer relação familiar entre si, disse ainda o ministro.
Luís Amado explicou que "houve um trabalho de preparação que foi feito entre os serviços da administração portuguesa e os serviços da administração americana" e que os currículos dos dois cidadãos "mereceram o consenso de todos os serviços portugueses envolvidos na análise dos vários currículos que foram apresentados".
O ministro dos Negócios Estrangeiros garantiu não ser verdade que os dois sírios - que vão entrar em Portugal com um visto especial por razões humanitárias - vão viver em local seguro e vigiados permanentemente, sublinhando que se "trata de uma situação que não tem nada de diferente" do que o país já fez no passado.
"Acolhemos palestinianos quando houve que acolher palestinianos na Europa depois dos graves acidentes há alguns anos atrás, acolhemos refugiados de Malta", esclareceu Luís Amado, admitindo, contudo, a existência de "muita excitação mediática em torno deste caso", que atribuiu ao "impacto público muito grande na Europa, em particular" que Guantanamo teve.
Questionado sobre quanto tempo será o visto especial, o governante respondeu "até se justificar", explicando que um eventual reagrupamento familiar dos dois cidadãos neste momento "não se coloca".
"Eles vêm por sua vontade. Quando quiserem sair do país e tiveram condições para ir para outro país podem ir para outro país, naturalmente", declarou.
Para Luís Amado, neste momento "interessa encontrar uma solução que permita ajudar os americanos rapidamente a resolver o problema que têm no âmbito da cooperação bilateral entre Portugal e os Estados Unidos".
Portugal tomou a iniciativa, em Dezembro passado, de acolher detidos de Guantanamo no contexto de uma iniciativa europeia para ajudar os Estados Unidos a encerrarem aquele campo de detenção de suspeitos de terrorismo criado em 2002 numa base militar norte-americana em Cuba.
Em causa estão cerca de meia centena de detidos ilibados de quaisquer acusações de terrorismo mas que não podem ser devolvidos aos seus países de origem dado o risco de perseguição.
Luís Amado, cabeça de lista do PS às eleições legislativas pelo Círculo Eleitoral de Leiria, participou hoje na apresentação dos candidatos socialistas aos órgãos autárquicos da cidade.




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