FC Porto
FC Porto: bem-vindo à órbita do Dragão
Publicado em 06 de Agosto de 2009
Como o FCP também joga nos satélites da Liga. Este ano com o Vitória de Setúbal e o Olhanense.
Carlos Azenha, o novo treinador do Vitória de Setúbal, podia ter assinado pela Académica. Vinha da órbita do FC Porto, vinha de adjunto de Jesualdo de Ferreira e era a isso que aconselhavam as boas relações entre dragões e briosa, afinadas nos últimos tempos pela presença em Coimbra de um outro técnico (Domingos) e de jogadores com ligação aos portistas. Entretanto, José Eduardo Simões, presidente da Académica, preferiu Rogério Gonçalves e Carlos Azenha acabou em Setúbal. Ele e três futebolistas emprestados pelo FC Porto.
"O campeão nacional não faz cedências por acaso", explica um agente FIFA ao i. Em Portugal, um jogador que precise de rodagem, para evoluir e eventualmente regressar ao Dragão, será colocado às ordens de um treinador de confiança para os dirigentes portistas. Veja-se o caso do Olhanense. Depois do falhanço em Braga, foi o clube de relançamento da carreira de treinador de Jorge Costa, um dos mais prestigiados capitães azuis dos últimos anos. No Algarve, na época passada, liderou um projecto de subida de divisão fortalecido pelos empréstimos do FC Porto. Esta época, na Liga, Jorge Costa continua em Olhão e no seu balneário tem cinco elementos ligados ao FC Porto.
Actualmente a influência azul-e-branca é mais notada no Vitória de Setúbal ou no Olhanense, mas o mesmo aconteceu num passado mais ou menos recente em clubes como Académica, U. Leiria, Est. Amadora ou Leixões. As contratações não se fazem por acaso, nem sequer dos treinadores. "Ninguém acredita que Jorge Costa, Domingos ou Azenha, no caso de suscitarem o interesse dos clubes grandes, não estejam primeiro mais próximos do FC Porto", continua o mesmo especialista. A mudança de Domingos, da Académica para o Sp. Braga, estava há muito preparada por António Salvador (embora tenham sido lançados nomes como o de Quique Flores), o presidente minhoto que, ao seu lado, sentado na tribuna, costuma ter Pinto da Costa. Enquanto prepara jogadores para o futuro, o FC Porto também trabalha um possível substituto de Jesualdo Ferreira, treinador que avança para a quarta temporada a Norte.
Jorge Jesus, o homem que está a revolucionar o futebol do Benfica, teve um pé no Dragão no último Inverno, quando Jesualdo Ferreira tinha a liderança da Liga tremida e a Liga dos Campeões em perigo. A equipa começou a mostrar resultados, avançou para uma segunda metade de campeonato impressionante e aí deixou de fazer sentido contratar Jesus ao Sp. de Braga. Mas não seria por oposição de António Salvador que Pinto da Costa não faria o negócio - já Luís Filipe Vieira teve de pagar 500 mil euros após duras negociações; e a contratação de César Peixoto, o reforço desejado na Luz para fechar o plantel, também não está fácil.
Não joga? Lesionado De volta aos jogadores. Não há lei que impeça empréstimos para clubes da mesma competição. E não há forma de impedir, através do contrato, que um futebolista cedido defronte o seu clube de origem. Mas há sempre casos que levantam questões. Na época passada, Nuno André Coelho (o melhor defesa central do Estrela da Amadora) e Tengarrinha (outro central), ambos emprestados pelo FC Porto, falharam a primeira mão das meias-finais da Taça de Portugal, com os dragões, devido a problemas musculares. Gerou-se a desconfiança.
Por ser mais competitiva, a Liga surge mais interessante para completar a formação de um futebolista, embora suscite estes casos. Sporting e Benfica, ao contrário do campeão nacional, apostam de forma muito mais modesta na colocação de jogadores nos clubes do principal campeonato, embora aqui também possa surgir a questão do valor - nem todos têm rodagem que convença um treinador do escalão máximo. "Por vezes há dificuldade em garantir que joguem com frequência", explica ao i outro especialista no mercado de emprestados.
Os três grades nacionais, seja na primeira como segunda ligas, tentam contornar o problema através de compromissos que garantam a utilização dos seus jogadores. "Nisso, os mais fortes são o FC Porto e o Sporting. Nos últimos anos o Benfica tem emprestado sem grandes garantias", explicam.
Um antigo futebolista encarnado, hoje noutro clube, lembra que na fase em que esteve cedido nunca beneficiou das mesmas circunstâncias dos colegas: "Os outros jogavam porque estava no contrato que assim devia ser. Tinham de fazer um certo número de jogos por ano. No meu caso não havia nada disso, a mim nem sequer me telefonavam a perguntar se estava tudo bem."
O satélite do Sporting Esta época, o Sporting recuperou em parte uma fórmula do passado, testada ao longo de várias épocas no Lourinhanense e mais tarde no Olivais e Moscavide. Pegou num clube dos arredores de Lisboa - Real Massamá, da II divisão, terceiro escalão português - e colocou lá um treinador de confiança (Filipe Ramos) e seis futebolistas oriundos da equipa júnior: Diogo Rosado, Victor Golas, Pedro Mendes, André Martins e Diogo Amado.
É o regresso à solução dos satélites, como a ligação Benfica-Alverca ou FC Porto-Tourizense. Esta semana, o Benfica finalizou a ida de Felipe Bastos para o Belenenses. Para já, o brasileiro é apenas o segundo futebolista encarnado cedido na Liga, depois de Rúben Lima chegar a Setúbal, por pedido expresso de Carlos Azenha, treinador que reconhece grande qualidade no jovem lateral-esquerdo. Se assim não fosse, podia sempre esperar uma ajuda do Dragão.
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