Andy Craddock. Quem não conhece este nome, talvez conheça as fotografias de teor erótico e fetichistas deste artista britânico de 43 anos. Mulheres jovens, seminuas e agraciadas pela mãe natureza em poses provocantes não causariam espanto, não fosse o facto de terem como cenário igrejas e símbolos do Cristianismo, como bíblias, crucifixos e altares. Embora este género de fotografias seja a imagem de marca de Andy Craddock há cinco anos, a polémica estalou pela primeira vez..
Desta vez, o fotográfo usou uma igreja do século XIII como cenário para um ensaio fotográfico erótico e não escapou a um processo judicial da parte de religiosos anglicanos da paróquia de St. Michael Penkivel, em Cornualha (sul de Inglaterra). Acusado de blasfémia e de violação de propriedade privada por fotografar sem autorização, Craddock expôs os seus argumentos ao i e provou que, sim é controverso, tal como um artista deve ser.
Porque escolheu uma igreja anglicana do século XIII para fotografar, sabendo que iria provocar polémica?
Sou um artista. Andava a procura de um local com elementos naturais, como rochas, que não fosse "cliché" como uma floresta ou uma produção de estúdio. Este era um local onde podia casar a beleza da Igreja com a beleza da mulher, nomeadamente devido à luz ambiente muito ténue.
Mas sabia que muitos católicos iam torcer o nariz, principalmente os padres da Igreja?
Apenas causou controvérsia aos olhos de uma minoria. Só uma em quatro pessoas é que não apreciou. Ao longo da história, muitos artistas tradicionais foram controversos como, por exemplo, Van Gogh, quando pintou prostitutas. Para um artista manter-se novo e fresco, tem de esticar os limites e tirar as pessoas de cenários confortáveis.
O porta-voz da diocese que o processou, o padre Andrew Yates, acusou-o de magoar "pessoas que tinham ligações com a igreja, por terem casado aqui ou por ter entes queridos enterrados nos jardins ao redor"?
Não foi a minha intenção ofender as pessoas. Sabia que ia causar polémica e ofender algumas pessoas, mas a minha intenção era criar arte. Mas só uma minoria é que ficou ofendida porque recebi muito boas críticas. Já fotografo em igrejas há cinco anos. Tem sido uma luta, mas nunca fui processado.
O padre Yates também o acusa de ter usado a Igreja sem autorização. É verdade?
Sim, não tinha autorização. Se a pedisse, a resposta iria ser não.
Mas agora está a braços com um processo judicial? Como acha que vai acabar esta polémica?
A meu ver, um processo judicial não é um acto muito cristão. A doutrina da Igreja é perdoar e a perseguição não é um valor cristão. Se não fosse a acção legal, eu devia apresentar desculpas. Mas penso que vou ganhar este processo porque a Igreja tem de provar que houve blasfémia e injúria.
Num comunicado que o advogado do padre Yates divulgou, a blasfémia é definida como a "publicação de material desdenhoso, injurioso, indecente e jocoso em relação a Deus, Jesus Cristo, a Bíblia ou os preceitos da Igreja Anglicana". A Igreja tem provas contra si?
Para dizer que cometi uma blasfémia, a Igreja tem, antes de mais, de provar que Deus e Jesus Cristo existem e ninguém tem provas disso. Ninguém tem 100% certeza que Ele Existe.
Quer dizer que não acredita em Deus?
Não sou um anglicano praticante, nem frequento a Igreja, mas tenho as minhas crenças.
Que igrejas já fotografou antes da St. Michael Penkivel?
Não posso nomeá-las. A Igreja anda à procura de uma oportunidade para me processar e não quero dar-lhe essa oportunidade. Como já disse, durante anos, nunca recebi críticas.
Poses provocadoras em igrejas e o uso de símbolos religiosos são elementos que definem a sua personalidade enquanto artista?
Sem dúvida. É a minha imagem de marca.




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