Música
Andrew Thorn: alter-ego para ver a pop passar
Publicado em 21 de Julho de 2009
João Pedro Coimbra, dos Mesa, estreia esta semana um novo projecto
Respondamos já, neste parágrafo inicial, à primeira questão que o nome põe: quem é Andrew Thorn? Falámos com João Pedro Coimbra, o mesmo que passou pelos Bandemónio e pelos Três Tristes Tigres, que é compositor e baterista dos Mesa. E assim sabemos que tudo isto é um "projecto de garagem", exercício para gente com tiques de adolescência na guelra. Eis a justificação oficial para um novo desvio no percurso do músico: "Surgiram algumas canções, apresentámo--las pela calada e tivemos boas reacções ao trabalho." Ou a resposta verdadeira: estamos perante um insatisfeito incurável.
Ainda sem rugas mas de currículo seguro, João Pedro Coimbra estará em breve no palco a dar voz a letras em inglês e de teclado na ponta dos dedos, com a vontade de quem acabou de descobrir o nervoso miudinho da pop. Atira-nos frases como: "O meu trabalho é fazer coisas que nunca fiz, é fugir à obrigação de ?ter uma carreira? e recusar ver a barriga crescer." E confirma que "Brutes on the Quiet", a estreia, "é um EP e não um álbum porque estas canções só podiam ser editadas agora".
Esta coisa da "urgência despreocupada" de que nos fala João Pedro Coimbra foi suficiente para convencer Jorge Coelho, Miguel Ramos e Jorge Queijo a formar uma banda "de ritmos em contratempo e gravações à antiga". Tudo para fugir à "zona de conforto" que estabelece prazos para discos e digressões. Sem esquecer o processo "fundamental" dos Mesa, que poderão ter álbum novo durante o próximo ano e que nunca terão existência secundária. Mas pondo a vista em horizontes menos prováveis, piscando o olho ao mercado internacional, averiguando a receptividade de outros palcos. Uma etapa a construir com base num longa-duração "que está já em produção" e cuja gravação poderá passar por Nova Iorque.
Esclarecimento: dizem-nos, com toda a certeza, que nada disto é mania de gente expansionista. Apenas banda sonora para tempos de fuga, de quem quer "tocar ao vivo, estar no concerto de outros", baralhar tudo e voltar a dar. E com os palcos e a movida nacionais sempre como companhia. Esqueçamos as dificuldades, a eterna falta de um circuito para músicos e bandas. O que seduz por estes dias João Pedro Coimbra é a criatividade nacional: "Crise só na indústria, não na música."
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