Futebol Internacional
O craque que chorava quando gozavam com o sotaque na escola
por Filipe Duarte Santos, em Madrid, Publicado em 07 de Julho de 2009
Cristiano Ronaldo, o madeirense, gozava com Miguel Paixão, o algarvio, por causa do sotaque. Mas, na escola, era mais frequente assistir-se à troca de papéis: o agora melhor jogador do mundo era o alvo da chacota. "É verdade. Ele tinha um sotaque muito carregado e não conseguia disfarçar mas, com o tempo, foi ao sítio. Agora mal se nota", recorda ao i Paixão, médio que representa a União de Leiria e jogou com o internacional português em Alvalade. "Às vezes quase chegava a chorar de tanta troça", admitiu a uma publicação alemã Leonel Pontes, adjunto de Paulo Bento e tutor do jogador nas camadas jovens do Sporting. Sim, é verdade, alemã. Cristiano Ronaldo é um fenómeno nacional, europeu e mundial. Tudo porque, com ou sem pronúncia, cumpriu ontem um sonho de miúdo. "Quando ainda estava nas camadas jovens, sempre disse que um dia jogaria no Real Madrid, ao lado de Ronaldo", refere o ex-companheiro. Só ainda não sabia que seria ele o novo Fenómeno mas trabalhou para isso.
A morar numa residencial na zona do Marquês de Pombal, o extremo corria atrás dos autocarros nas ruas a subir e com pesos atados aos tornozelos. Era uma forma prática e rápida de ganhar mais força e velocidade. Por isso, apesar de alguns passeios e idas ao cinema, Ronaldo preferia ficar muitas vezes no quarto, a descansar. "Naquela altura não havia ainda a febre da internet. Ficávamos na conversa, fazíamos uns jogos e todos passávamos horas na conversa", comenta Miguel Paixão. Ao fim-de-semana, o madeirense estava algumas vezes com Pontes. "Jogávamos ténis de mesa e snooker. Já na altura queria sempre ganhar. Sempre, sempre, sempre", diz o treinador.
Astro Se no futebol é o número um mundial, nos jogos individuais não fica atrás. "No ténis de mesa costumava ser ele a ganhar. Nos matraquilhos era repartido, mas mesmo assim tinha muito jeito. Já no snooker acho que consegui vencer mais vezes. Mas era um adversário de respeito", relembra Miguel Paixão, que às vezes ainda alinha de chuteiras verdes. "Foi mais uma prenda que me deu".
O ex-companheiro também já viu o lado mais perverso da fama. "O Ronaldo sempre foi uma pessoa simples e bem disposta. Por isso, não percebo algumas coisas que se escrevem", frisa. Numa das viagens a Manchester, Paixão e Ronaldo foram a um concerto e duas raparigas pediram para tirar uma fotografia. No dia seguinte, eram manchete de um jornal e as ditas raparigas surgiam como novas conquistas. "Só dá mesmo para rir. Foi mais uma mentira."
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