Manuela Ferreira Leite não quer Passos Coelho como deputado
por Adriano Nobre, Publicado em 03 de Julho de 2009
Presidente do PSD quer evitar cisões na bancada parlamentar. Ângelo Correia lamenta que as listas não representem o povo
A lista de candidatos do PSD às próximas eleições legislativas ainda não foi discutida na comissão política nacional do partido. Mas nos bastidores sociais-democratas cresce uma certeza: o nome do ex-candidato à liderança do partido, Pedro Passos Coelho, não vai constar na lista final aprovada por Manuela Ferreira Leite. Fontes próximas da direcção do PSD assumem que esta é uma decisão pessoal da líder do partido, mas rejeitam a ideia de tratar-se de uma vingança: é apenas uma decisão pragmática para assegurar a estabilidade interna.
Além do compromisso de renovar a bancada parlamentar do PSD, Manuela Ferreira Leite quer reforçar a união no partido e já apelou à humildade de todos os interessados em ajudar o PSD nas eleições legislativas e autárquicas. Por isso, na definição da lista de candidatos à Assembleia da República, a presidente do PSD vai evitar a escolha de nomes que possam alimentar cisões profundas entre os deputados. E na memória de todos está bem presente o aparecimento de Passos Coelho durante a campanha para as eleições Europeias, onde exigiu a vitória do PSD para "dar ânimo" ao partido antes das legislativas. Uma atitude interpretada pela direcção como uma forma de o ex-candidato à liderança do partido tentar cobrar uma eventual derrota de Ferreira Leite.
Uma perspectiva implícita na reacção imediata da líder social-democrata: "Em democracia essa frase não existe", defendeu no próprio dia, Manuela Ferreira Leite. Um sinal de divergência que a direcção do partido entende que poderia intensificar-se no caso de Passos Coelho integrar a bancada parlamentar se o PSD não vencer as legislativas. Isto porque uma eventual derrota para o PS abriria espaço a um novo fôlego na sua ambição de lutar pela liderança do partido.
Contactado pelo i, Pedro Passos Coelho recusou comentar o assunto e remeteu a sua posição sobre as listas do PSD para quando for chamado a pronunciar-se no conselho nacional do partido. Mas no final da última reunião do PSD, a 23 de Junho, o antigo líder da JSD deixou pouca margem para dúvidas quanto às suas intenções: "Manifestei há muito tempo disponibilidade para ajudar o PSD nesta matéria, se o partido achar que isso é relevante. Só pus uma condição: ser o distrito eleitoral a que pertenço a propor-me para esse efeito. Se as pessoas de Vila Real e a comissão política nacional do PSD entenderem que isso é relevante, não sou eu que vou dizer que não estou empenhado nesse combate", disse o antigo candidato à liderança do partido.
O presidente da comissão política do PSD neste distrito, Domingos Dias, garante ao i que o tema "ainda não foi discutido" nas reuniões da distrital a que preside e que só abordará o dossiê com Manuela Ferreira Leite nas próximas semanas. Mas assume que a sua opinião não se alterou. "Quem me conhece sabe que não mudo. Passos Coelho é uma das soluções que considero ser melhor", defendeu, lamentando que se estejam "a levantar problemas onde eles não existem".
O ex-dirigente social-democrata e apoiante da candidatura de Pedro Passos Coelho, Ângelo Correia, recusa antecipar cenários sobre as listas do PSD, mas não esconde a sua surpresa: "Pensava que os deputados à Assembleia da República eram representantes do povo e não representantes da direcção do partido", disse ao i, quando questionado sobre a possível exclusão de Passos Coelho. com Ana Sá Lopes
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