Para muitos, uma fatalidade. Para outros, uma oportunidade única de poupança. Faça como eles e reserve já a sua estada num aeroporto
Quando Maria e o namorado foram corridos da casa onde moravam precisaram de um tecto até descobrir nova morada. E se nenhum dos amigos finlandeses se mostrou disponível para abrir as portas de casa durante nove dias, o aeroporto Vantaa, em Helsínquia, revelou-se um simpático hostel a custo zero. “O autocarro para lá chegar era barato e ficámos impressionados com a limpeza, calma e segurança do espaço. As casas de banho são boas, podemos aceder ao email, ninguém o acorda até de manhã e há sempre lugar onde comer. Escolham o terminal 1, o dos voos domésticos, para dormir. É o melhor”, partilha no site www.sleepinginairports.net, que reúne uma série de experiências de pernoitas em aeroportos.
Se para a maioria dos viajantes a hipótese de ficar retido é um verdadeiro pesadelo, e treme só de pensar na eventualidade de uma greve súbita, atraso inesperado ou catástrofe ambiental que comprometa o regresso ao destino por tempo indeterminado, para outros é uma oportunidade que leva ao extremo a modalidade de viajar em low cost. Um statement de uma comunidade que anda há mais de quinze anos a dar conselhos e a mostrar como um beliche desdobrável, uma almofada fofinha ou uns tampões para os ouvidos podem resolver o problema da estada de uma só penada – e bem económica.
O poder de alcance de um suborno, as consequências de montar uma tenda num terminal, a eficiência do acesso à internet, a qualidade das máquinas de venda automática, a facilidade de encontrar um café quando mais se precisa de um, os locais mais tolerantes a este tipo de permanência e aqueles onde a proibição é clara. Antes de se fazer ao caminho, espreite o que os utilizadores lhe têm a dizer sobre o assunto e analise as vantagens e desvantagens de cada caso.
Não é difícil perceber porquê. Se há aeroportos que bem podiam medir forças com a sofisticação do alojamento oferecido por certas cadeias de hotéis, outros dão vontade de nem sequer aterrar nas suas pistas.
Anualmente, o site elege os mais convidativos e os maiores inimigos dos viajantes. Pela 15ª vez, o Changi, em Singapura, levou a melhor em 2011 no balanço de quatro factores decisivos: conforto, limpeza, apoio ao cliente e serviços. Na decisão dos internautas terão pesado extras de luxo como a piscina, jacuzi, spa e serviço de massagens 24 horas por dia, jogos de vídeo, lounge com música ao vivo, filmes e jardins. Quem por lá passou a noite, sugere que arrisque fazer o mesmo, mesmo que tenha dinheiro para reservar um hotel. O segundo lugar ficou em Hong Kong, famoso pelo campo de golfe e pelo maior cinema 4D de toda a Ásia, quase em situação de empate com Incheon, em Seoul, seguidos de Kuala Lumpur, Amesterdão, Munique, Vancouver, Zurique, Frankfurt e Toronto.
No extremo oposto encontra-se o aeroporto de Manila. Aqui, dizem, todo o cuidado é pouco com o nível de limpeza, as casas de banho e os tectos em vias de cair. Paris Beauvais, o Keflavik de Reykjavik, o Orio Al Serio de Bergamo, o Boryspil de Kiev, Luton e Pisa não aparecem muito melhor cotados. A votação para o prémio “Almofada Dourada” 2012, como lhe chamam já está em marcha.



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