A saúde débil, a arte, amores e desamores. Do México para o Museu da Cidade, em Lisboa, o álbum de fotografias íntimo da pintora em “Frida Kahlo – As Suas Fotografias”
Diz-nos a história – a dos livros e a popular: Frida Kahlo, mulher forte, mexicana com garra, artista inovadora. E além disso? Aí é preciso entrar no seu baú privado para descobrir. “Frida Kahlo – As Suas Fotografias” é esse acesso livre, escondido do público durante cinco décadas. A vida de Frida, dos momentos mais pessoais, com família e amigos, ao seu eterno amor Diego Riviera, às tradições e convulsões que traçaram o percurso do México. As 257 fotografias (de um total de 6500) saem pela primeira vez da Casa Azul, no México, para uma digressão mundial com primeira paragem em Lisboa, no Museu da Cidade. A iniciativa é da CAL, Casa da América Latina.
O salão preto está dividido por histórias: “Os Pais: Guillermo e Matilde”, “A Casa Azul”, “O Corpo Acidentado”, “Os Amores de Frida”, “A Fotografia” e “A Vida Política”. As imagens são tanto da autoria da própria artista como do pai, de amigos e de fotógrafos conceituados que com ela se relacionaram, entre eles Man Ray ou Edward Weston. “Frida Kahlo, Natureza Ferida. Memória Viva de Certos Dias” é o documentário projectado numa sala aparte. “Esta era a melhor oportunidade de voltar a um dos mais populares ícones da América Latina, mas de uma forma diferente, não através do trabalho plástico mas da sua vida e do México”, explica Maria Xavier, que coordena a programação cultural da CAL.
“Diego Riviera deixou no testamento que nada podia sair do museu”, explica Hilda Trujillo, responsável pela Casa Azul, no México. Adianta que foi necessário negociar com um comité para que as fotografias tivessem autorização para viajar. Cada imagem é um fac-simile irrepetível”, ou seja, trata-se de cópias únicas. “No caso de se perder alguma, o comité não dá autorização de fazer mais porque querem respeitar a vontade de Diego”, continua Hilda.
Imagens a preto-e-branco, com Frida, os familiares, a casa e o seu quarto e Diego. Outras têm personagens recortados (tantas vezes ela mesma ou Diego): era assim a relação intensa que mantinha com a fotografia. Hilda Trujillo pára diante de uma imagem onde Frida está deitada numa cama, virada de costas de olhar posto na objectiva. “É desta que gosto mais”, diz interrompendo com um sorriso. “A Frida não era só a sofrida, a solitária, mas também a da festa, da boémia, do gosto pela vida. Escreveu num quadro ‘viva la vida’. Os Coldplay fizeram-lhe uma homenagem, sabia?”



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