A fadista Mariza afirmou que, se a UNESCO confirmar o Fado como Património Imaterial da Humanidade, será um fator de orgulho para os portugueses e sugeriu que o género musical seja lecionado nas escolas.
Nomeada pelo ex-presidente da Câmara de Lisboa, Pedro Santana Lopes, embaixadora da candidatura do Fado a património da UNESCO, Mariza defendeu que "um povo só é conhecido pela sua cultura" e, caso esta distinção seja outorgada ao Fado, "talvez nós portugueses possamos ter um orgulho maior naquilo que somos, principalmente nesta fase tão cinzenta que vivemos".
"As pessoas vão ter vontade de cuidar, entender, preservar e vão acarinhar muito mais porque começam a perceber que não é uma cultura menor, de forme alguma, mas algo bastante rico e que pode ser apresentado em qualquer parte do mundo, foi sempre essa a minha grande batalha", disse a criadora de "Ó gente da minha terra".
Mariza afirmou que "haverá mais respeito pelo Fado", caso este género musical ganhe o estatuto de Património Cultural Imaterial da Humanidade, "como tudo parece indicar".
"Vamos passar a ser mais carinhosos, cuidadosos, mais atenciosos com esta música que durante muitos anos foi maltratada muitas vezes", defendeu a fadista que prognosticou que "as gerações mais novas vão ter maior curiosidade".
A fadista defendeu neste sentido a inclusão do Fado na disciplina de História nos 7.º ou 8.º anos de escolaridade.
"Talvez se pudesse falar um bocadinho de Fado", sugeriu a fadista que considera que "mesmo não gostando, deve-se ter conhecimento da História do Fado, que é nosso".
Mariza começou a carreira de fadista há cerca de quinze anos, no restaurante de Maria da Fé e José Luís Gordo, Senhor Vinho, em Lisboa, tendo já editados cinco álbuns de estúdio e três DVD. "Fado em mim", produzido por Jorge Fernando, foi o primeiro álbum, com a etiqueta da World Connection, saído em 2001, e o mais recente, "Fado tradicional", produzido por Diogo Clemente, em 2010.
Recebeu vários galardões internacionais, entre eles, dois prémios da Crítica Alemã, o World Music Award para a Melhor Artista da Europa, pela BBC Radio3, e o European Border Breakers Award.
Nascida em dezembro de 1973, em Moçambique, Mariza tem pisado os mais prestigiados palcos internacionais, entre eles, o Royal Festival Hall, o Barbican Centre e Royal Albert Hall, em Londres, o Carnegie Hall, em Nova Iorque, o Walt Disney Concert Hall e o Hollywood Bowl, em Los Angeles, a Sala Pleyel e o Olympia, em Paris, a Ópera de Sydney, a Ópera de Frankfurt, Le Carré e o Concertgebouw, em Amesterdão, ou a Ópera de Alexandria.
Em 2005 recebeu o Prémio Amália Rodrigues Internacional. Tinha anteriormente sido distinguida pela imprensa estrangeira em Portugal como Personalidade do Ano e recebido a Medalha de Ouro do Turismo de Portugal.
A candidatura do Fado a património imaterial da humanidade foi apresentada pela Câmara Municipal de Lisboa através da EGEAC/Museu do Fado, em junho de 2010, e será votada no VI Comité Inter-Governamental da Convenção da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), que se reúne de 22 a 29 deste mês em Bali, na Indonésia.
A candidatura portuguesa está entre as sete recomendadas pelo comité de peritos da UNESCO, ao lado do conhecimento dos jaguares, pelos xamãs da tribo ameríndia colombiana Yurupari, da música Mariachi, do México, das danças Nijemo Kolo da Dalmácia (Croácia), da música e dança tsiattista do Chipre, e da cavalgada de reis da Morávia (República Checa).



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