É o Mini que mais foge ao ar de família desde que o carro surgiu na década de 1950. É intimista e muito dado aos prazeres da condução. Além do mais gasta pouco
Os responsáveis da Mini pegaram na plataforma do Mini Cabrio e puseram-lhe em cima uma carroçaria cuja frente não foge muito ao ar de família, mas que em tudo o resto é bem diferente, com uma traseira cortada que vinca bem o alto da bagageira e com um tejadilho que, no dizer dos desenhadores da marca, “faz lembrar um capacete”. É o Mini Coupé, apenas com dois lugares, mortinho para dar gozo de condução e que só tem dois lugares e uma mala com quase 300 litros, a segunda maior de toda a família.
O interior não é muito diferente daquele que há dez anos pode ser visto nos outros Mini. Aí é um clássico, apenas com a diferença de não haver comunicação entre o habitáculo e a mala, a não ser por um postigo que se pode abrir para colocar coisas compridas como, por exemplo, um par de esquis.
O carro é 15 mm mais baixo, mantendo a mesma altura ao solo de 14 cm, mas numa ilusão de óptica parece ser mesmo muito mais esguio. Mas é conveniente baixar a cabeça para entrar antes de ocuparmos os bancos com bom apoio.
Voltemos atrás para esclarecer que os dois lugares são mesmo dois lugares, já que atrás do banco do condutor e passageiro não existe mais nada a não ser um pequeno espaço para levar bagagem de mão e colocar uns abafos.
O motor é o 2.0 litros BMW diesel na versão de 143 cavalos, equipado com injecção directa, turbo de geometria variável e intercooler, acoplado a uma caixa manual de seis velocidades (a unidade que ensaiámos) ou, em opção (1600€), com caixa automática, que só lhe traz desvantagens porque, além do custo da caixa em si mesmo, agrava o preço final em 2000€, devido ao maior consumo e consequente maior taxa de dióxido de carbono que faz subir os impostos.
Mas o que este Mini pede mesmo são estradas com curvas, estradas onde o condutor possa dar livre curso à sua vontade de se divertir, porque é mesmo disso que o Coupé gosta. O seu carácter desportivo (a que há a acrescentar o uso de jantes de 17 polegadas e pneus runflat) tornam-no duro, sobretudo em estradas que não sejam mesmo lisinhas. Mas quem “veste” um carro destes já sabe ao que vai...
É só acelerar (0 aos 100 km/h em 8 segundos) e aproveitar a estreita faixa de rotações disponível no motor para tirar todo o partido do carro. Insere-se muito bem nas curvas dando imensa segurança, a não ser que o asfalto seja rugoso e aí há que ter cuidado com o saltitar, que pode tirar alguma precisão à direcção e assustar os menos precavidos. Quanto a consumos, a boa notícia é que, em ciclo combinado, fica abaixo dos 6 litros, e em cidade não vai além de 7 litros/100 km.
Uma coisa é certa: este Mini não deixa ninguém indiferente. Na estrada, vários automobilistas quiseram certificar-se de que raio de bicho era aquele e muitos peões ficaram a olhar a traseira aerodinâmica, onde uma asa se levanta quando a velocidade ultrapassa os 80 km/h e recolhe quando se baixa dos 60 km/h.
Um carro assim tinha de ter a possibilidade de ser muito personalizado e é isso que acontece, sendo possível escolher capas de retrovisores exteriores, vidros traseiros escurecidos, faixas desportivas ao longo da carroçaria, interior dos faróis em preto, estofos em pele, jantes de 17 polegadas, sistema de navegação, cruise control, ar condicionado automático e ainda outras minudências, tudo a troco de mais uma grande mão-cheia de euros, pois claro. Por tudo isto, o Mini Coupé não é um carro para quem quer, mas sobretudo para quem pode.
Veja o vídeo em www.ionline.pt



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