A Avenida da Liberdade tem sido palco de marcha atrás de marcha, punho fechado em forma de protesto e grito de guerra. Amanhã e sábado volta a ser montra de parada desenfreada, mas animemo-nos porque vai fazer-se a festa.O Vodafone Mexefest chega este ano para substituir o Super Bock em Stock e, mais uma vez, traz música festivaleira a estações do ano pouco habituadas a tais experiências boémias. Amanhã e depois, pop, rock, indie, electrónica e o que mais houver para desfilar através de palcos de Inverno. Com um pé no Tivoli, outro no São Jorge, e o primeiro novamente noutra sala qualquer, preparámos um roteiro para agradar a todos. O cartaz é generoso. Só precisa de boa vontade e uma corrida ou outra entre cada concerto. Espreite aqui ao lado e não esqueça: o Mexefest também chega ao Porto a 2 e 3 de Março do próximo ano
AMANHÃ
JULIE & CARJACKERS
Restaurante Terraço Hotel Tivoli 20h45
Amanhã. Sala vodafone FM 22h00
João Correia e Bruno Pernadas têm andado na boca (e nas rádios) dos portugueses. O disco de estreia saiu há menos de um mês e veio confirmar a queda para a indie pop. Sejamos sinceros: a música é mesmo boa. A prova dos nove, ao vivo, é hoje à noite. E pelo andar da carruagem, promete rebuliço.
JOSH T PEARSON
sociedade de geografia de Lisboa, 21h15
Mais um álbum fresquinho, de estreia, “Last Of The Country Gentleman”. No site do festival lê-se que é um disco corajoso. Por cá, gostamos da dicção rápida que sai de boca posta em riste. E, é evidente, da coragem de se meter em palco acompanhado pela guitarra e o sotaque do Texas para mostrar canções de fazer arrepiar a espinha. Mas, aqui entre nós: Porquê é que Pearson entrou na música em 1996 e só gravou o primeiro disco este ano? Por causa da reacção do público quando o ouvia, avança o site do Mexefest.
BEBE
Cinema São Jorge – sala i,
21h30
Que maneira melhor para deixar o portunhol de lado senão com canções faladas na língua do país hermano? As de Bebe, claro está. Bebe aproveita-se das imagens do dia a dia para ser porta-voz, com pinta e sensibilidade certas, da geração actual. Desenganemo-nos com o nome, Bebe vai meter o Mexe a mexer, dos pés à cabeça.
ELEANOR FRIEDBERGER
Casa do alentejo, Lisboa
21h45
O título “Last Summer” podia indiciar um álbum romântico-piroso sobre o amor do Verão passado. Nada disso, pelo menos pelo que revela a primeira canção, “My Mistakes”, que faz saltar o corpo em movimentos nervosos dos bons. Eleanor e o irmão Matthew Friedberger deixaram em pausa a banda de Chicago que formaram juntos, The Fiery Furnaces. Vai daí, Eleanor chega para mostrar que sabe estar sozinha (ou quase) em palco.
HANDSOME FURS
teatro tivoli, Lisboa
22h15
“Sound Kapital” é o terceiro disco, lançado este ano, e aquele que vai dar som a Lisboa. Um casal destemido – Dan Boeckner é membro dos Wolf Parade e Alexis Perry, sua esposa, escreve contos infantis – que enche de electrónicas ásperas as regras do indie rock.
A BANDA MAIS BONITA DA CIDADE
Casa do alentejo Lisboa
23h15
Primeiro gravaram um vídeo e atiraram-no para o YouTube. A coisa espalhou-se e passados cinco meses gravaram um disco, prestes a chegar às lojas. MPB, indie rock e letras bonitas.Salvé a internet.
JUNIOR BOYS
teatro tivoli, Lisboa
23h45
Jeremy Greenspan e Matt Didemus são canadianos, alternativos e lançaram o quarto álbum este ano, mais sólido, como manda o percurso. “Banana Ripple”, assim se chama, para bater o pé e esticar o dedo no ar de forma foleira. Não dá para evitar, o corpo responde por si.
SÁBADO
EMA
cinema são jorge – sala 2, 21h30
O Mexefest a começar a noite de sábado com um pé de dança atrevido. EMA lançou o disco de estreia este ano e já é considerada revelação da música alternativa. “Past Life Martyred Saints” é barulhento, mas traz rasgos de blues, folk e grunge. As mulheres não se medem aos quilos, mas esta é de peso. Não falamos de estética, claro está.
OH LAND
Cinema São Jorge – Sala I, 22h20
Nanna Øland Fabricius está habituada aos palcos desde miúda. Começou na dança mas, qual história de filme de sábado à noite, uma lesão fez com que mudasse de vida. E ainda bem. Chega da Dinamarca e traz dois álbuns que fazem dançar com as mãos atrás das costas e um sorriso malandro no balanço.
JAMES BLAKE
teatro tivoli, lisboa
23h30
Há pouco a dizer: o álbum era dos mais esperados e trepou de uma assentada para os melhores discos do ano. Blake não engana ninguém: mistura electrónica com pop, soul e dubstep, e fá-lo de forma sublime. Leve uma camisola mais fresca e se possível, um leque. Esta música faz calor, ainda que não pareça.
WE TRUST
Casa do alentejo, Lisboa
00h00
O melhor é mesmo não parar (de dançar), porque vai sentir um nervoso miudinho. “Time Better Not Stop” foi um terramoto português. André Tentúgal, já tinha trabalhado com X-Wife, Foge Foge Bandido ou Divine Comedy. O disco chega agora às lojas e Tentúgal leva-o aos palcos. Agora todos, com voz afinada: “Better Not Stop / Better Not Stop/ Moving / Better Not Stop”.
LINDSTROM
Cabaret Maxime, Lisboa
00h40
O último disco na rua é “Real Life Is No Cool” (com Christabelle). O que está prestes a sair, em Fevereiro, chama-se “Six Cups Of Rebel”. Entre estes dois, e mais aqueles que estão lá para trás, o norueguês Lindstrøm [entrevista ao lado] não pode passar despercebido no mundo da electrónica. Tem tudo para agradar a gregos e troianos. A não perder.
TORO Y MOI
Cinema são jorge, Lisboa, 00h15
Chazwick Bundick é um puto de 24 anos com ar simpático e jeito de sobra para discos contagiantes (“Causers of This” e “Underneath The Pine”, do ano passado e deste). para sair do São Jorge a dizer que a funktrónica é mesmo boa, já depois da música ter terminado.
BLOOD RED SHOES
Sala SBSR – Estação
restauradores, 00h45
Do rock ao punk, grunge, alternativo ou garage, a mulher, Laura-Mary Carter, toma conta da voz e da guitarra. Steven Ansell, louro de ar angelical, perde a alcunha na bateria. Rock fresco para abanar a cabeça.
ISILDA SANCHES
Cabaret maxime, Lisboa
02h00
Um dos nomes da rádio Oxigénio e dona da mesa de mistura e seus discos. Para dar em em boa cantada e passos em volta correspondentes.



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