Feira do Livro de Frankfurt
D.R.O escritor brasileiro Rubem Fonseca, com a obra "Bufo e Spallanzani", é o vencedor do Prémio Casino da Póvoa, atribuído hoje no âmbito do Correntes d'Escritas, na Póvoa de Varzim.
O trabalho "Vergílio Vagaroso", de Tomás Anjos Barão, sob o pseudónimo de Duplo Arco-Íris, foi o vencedor do prémio literário Correntes d'Escritas.
O anúncio foi feito na Póvoa de Varzim onde, até sábado, decorre o Correntes d'Escritas.
"O sonho do professor Jorge", da turma SP do 4.º ano da Séction Portugaise du Lycée de Saint-Germain-en-Laye, de França, ficou em primeiro lugar na categoria de Conto Infantil, à frente de "Martinho descobre que as mãos falam", da turma E da Escola Básica Bairro Duarte Pacheco, de S. Victor, Braga, e do "No Reino da Alfabetária", da turma B da Escola Básica do 1.º ciclo/Jardim de Infância Condes da Lousã, da Damaia, Amadora.
O júri entendeu, ainda, atribuir duas menções honrosas: ao trabalho "Um Feiticeiro Infeliz", da turma 4B da Escola Comendador Ângelo Azevedo, de S. Roque, de Oliveira de Azeméis, pelo texto, e ao trabalho "Futebol Planetário", da turma 4D da Escola Básica do 1.º ciclo n.º 1, de Sines, pela ilustração.
"Amar o Mar -- Minha Terra Natal", de Miguel Louro, sob o pseudónimo de Félix Ribeiro, foi o trabalho escolhido para vencer o Prémio Fundação Dr. Luís Rainha. Também nesta categoria foi atribuída uma menção honrosa ao trabalho "Euracini de pátrias e maresias", de Admário Costa Lindo, apresentado sob o pseudónimo de Catilita.
"Amo a língua portuguesa, que vai durar pela eternidade", diz Rubem Fonseca
O escritor brasileiro Rubem Fonseca, galardoado hoje com o prémio maior das Correntes d’Escritas, confessou à plateia do Casino da Póvoa o seu amor pela língua portuguesa, poesia e por Portugal.
“Amo a língua portuguesa, lindíssima, que vai durar pela eternidade”, afirmou o escritor, que é avesso a entrevistas e que há anos vinha sendo convidado para estar presente no evento literário que vai na sua 13.ª edição.
Dando uns curtos passos, de microfone na mão – “eu sou a pessoa peripatética, para falar tenho de andar, apesar de ter uma luxação no joelho”, Rubem Fonseca declarou que já “tinha vindo a Portugal”, mas que estava “encantado com esta cidade e com as pessoas daqui”, numa alusão à Póvoa de Varzim.
“Eu sou neto de portugueses, tenho sangue português e orgulho-me disso”, afirmou o escritor, de 87 anos, que recordou que o pai lhe lia sonetos de Camões, um pretexto para afirmar a sua preferência pela “poesia portuguesa”.
E foi com Luís de Camões que Rubem Fonseca encontrou a melhor maneira de encerrar a sua curta declaração de agradecimento, declamando, perante uma plateia emocionada, o soneto “Busca amor novas artes, novo engenho”, rematando a sua leitura com um “viva, viva a língua portuguesa”
“Portugal não vai morrer realmente”, diz Eduardo Lourenço
O prémio Pessoa 2011, Eduardo Lourenço, afirmou hoje não acreditar que Portugal venha a “morrer realmente”, apesar de os tempos que correm serem de uma tentação de pessimismo que atravessa vários aspetos da vida quotidiana.
Numa declaração na abertura da 13ª. edição das Correntes d’Escritas, na Póvoa de Varzim, Eduardo Lourenço, homenageado na mais recente revista do evento, disse que é necessário neste momento “uma espécie de luz, qualquer coisa de luminoso”.
“Portugal é um velho pais, não vai morrer realmente como o Titanic e também espero que a Europa, onde nós entrámos, pensámos que enfim estávamos numa casa rica, uma casa dos outros, que não precisávamos de nos preocupar no futuro, que também não tenha esse destino que se começa a desenhar no horizonte”, afirmou Eduardo Lourenço, lembrando que o continente já atravessou momentos piores.
Ainda assim, o pensador português afirmou acreditar que os problemas que a Europa atravessa neste momento se devem “ao facto de as nações europeias terem feito tudo o que podiam para se autodestruir apenas há 50 anos”.
Esse algo de "luminoso" a que Eduardo Lourenço se referia era necessário para "não sucumbir a esta tentação de pessimismo que está invadindo as páginas e o consciente neste momento".



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