Está na lista das apostas do ano da BBC e a sua palavra preferida é “cunt”. A rapper de 20 anos, conhecida pelo êxito “212”, prepara-se para gravar um álbum
As letras de “212”, o êxito de Azealia Banks em 2011, tiveram de ser alteradas 40 vezes para que a música pudesse passar na americana Radio 1. Ainda assim, “cunt” é a palavra mais ouvida na canção lançada oficialmente no seu site a 6 de Dezembro.
Nos dias que correm, basta fazer upload de um vídeo na internet e esperar que corra nas redes sociais para ganhar fama. Foi isso que aconteceu à miúda de 20 anos do bairro nova-iorquino de Harlem, que já é considerada “a pessoa mais fixe de 2011” pelo jornal britânico NME. “Ela diz as coisas como são e tem o estilo mais imprevisível do mundo”, justificou a revista de música que deixou Jarvis Cocker, dos Pulp, em segundo lugar e Hot Titus, dos Cerebral Ballzy, em terceiro – Lana del Rey e Tom Meighan também estão no top 10.
De calções curtos, tranças e camisola do Mickey, ninguém esperava que da boca de Azealia Banks pudessem sair coisas como: “And flick that tongue deep in/ I guess that cunt getting eaten.” Mas é disso que trata a música, de sexo oral.
Azealia Banks é uma das quinze apostas da BBC para 2012 – a lista com os cinco nomes finais será anunciada esta semana – tal como o produtor californiano Skrillex e Frank Ocean, dos Odd Future. De facto, a rapper promete dar que falar este ano: “Tenho talento como o raio. Não me ignorem que vou atrás de vocês”, afirmou.
Em Fevereiro, vai começar uma digressão em Inglaterra para fazer a primeira parte dos concerto dos Two Door Cinema Club. É também em Londres que irá começar as gravações do seu primeiro álbum, uma mistura de músicas “ao estilo house-heavy pop de ‘212’, rap-bitch e R&B de Inverno no País das Maravilhas, como Aaliyah”, como explicou numa entrevista à “Pitchfork”. O disco contará com a ajuda de Paul Epworth, também produtor de artistas como Adele, Florence + The Machine e Bloc Party.
Em 2009, Azealia recusou um contrato com a XL Recordings porque não gostou do rumo que estavam a dar à sua música. “Eles agora parecem estúpidos porque não têm Azealia Banks no seu grupo”, disse. Neste momento, ainda não assinou contrato com nenhuma outra editora, mas as últimas notícias dizem que há quatro interessadas. “Não tenho medo de trabalhar com grandes editoras, só quero trabalhar num sítio onde possa cometer erros e fazer o que eu quero e não ter de ser outra pessoa.”
Ao contrário da música “212”, o álbum não estará disponível para download grátis. “Se podes fazer um álbum, talvez não o queiras dar de graça”, disse à “Pitchfork”. “A ideia é fazer uma coisa divertida e não ser só eu a rappar em cima de batidas. Quero que esteja polido porque a maior parte das minhas coisas que andam por aí soam a pirateado.”
Antes de “212”, Azealia Banks já tinha lançado duas músicas na internet: “L8R” e “Slow Hands”, uma cover dos Interpol. Mas foi “212” que a tornou conhecida e levou famosos com Gwyneth Paltrow a partilharem-na nas redes sociais. Depois disso, o vídeo foi retirado do YouTube, já que Lazy Jay, a quem a cantora roubou samples da música “Float My Boat”, iniciou uma batalha judicial pelos créditos. “Isso tornou-a ainda mais sexy”, diz Azealia. “As pessoas estavam a falar de uma música que não conseguem encontrar. É quase contrabando.”
Antes do rap, Azealia participava em musicais na escola de artes LaGuardia, de onde veio Nicki Minaj, uma das suas influências.



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