Com 23 anos, experimentou o teatro a sério e recebeu logo uma nomeação para os prémios da Sociedade Portuguesa de Autores. Fomos conhecer a actriz e descobrimos que também tem talento para a comédia
“Eu nem sei como é que me senti. É sempre muito bom, foi a minha primeira experiência de teatro e parece que correu bem.” Ana Guiomar, de 23 anos, foi nomeada para Melhor Actriz, na categoria de Teatro, para os prémios da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA), concorrendo com Luísa Cruz em “A Varanda” e Sandra Faleiro em “Quem Tem Medo de Virginia Wolf?”. A gala acontece na segunda-feira, às 21h00, com transmissão na RTP.
A actriz, que começou a carreira na série juvenil “Morangos com Açúcar”, foi protagonista da peça “Purga”, baseada no livro de Sofie Oksanen, ao lado de Irene Cruz e Patrícia André, com adaptação e encenação de João Lourenço.
O espectáculo, para maiores de 16 anos, com cenas de sexo e violência, não foi pêra doce para a actriz. “Foi uma coisa que me custou bastante, quer física, quer psicologicamente, porque nunca tinha feito nada com tanta intensidade.” Com apenas duas experiências de palco, com “Confissões de Adolescente” e “Morangos com Açúcar”, versão teatro, a actriz confessa que “estava a morrer de nervos” antes da estreia. “Na primeira semana pensei: ‘Vou dizer ao João Lourenço que não consigo fazer isto.’ Era uma personagem muito grande para teatro e quanto maior é a subida maior é a queda.”
Como tudo começou “Houve um casting na escola para a série ‘Uma Aventura’, tinha eu dez anos. Junto com uns amigos arranjámos uma câmara e enviámos as imagens. Claro que não fui chamada para a série. Mas recebi um telefonema de uma senhora a perguntar se eu não tinha currículo. Eu não sabia o que era um currículo. Depois comecei a pensar naquilo a sério e partiu tudo de mim, a inscrição nas agências, tentar ir a castings. Os meus pais apanharam grandes secas nas filas dos castings.”
Percurso “Estudei até ao 10.o ano normalmente. Depois entrei para os ‘Morangos com Açúcar’ e fiz o resto da escola ao mesmo tempo, até ao 12.o Acabei o secundário e não tenho mais nada. Pronto, para o país que temos já está bom [risos]. Depois dos ‘Morangos’ fiz a novela ‘Tempo de Viver’, também na TVI, e tive convites para trabalhar noutros canais. Optei por ir um bocadinho para o abismo com a série da RTP ‘Conta-me como Foi’. Queria mesmo fazer aquilo. Se tivesse de pôr na balança com uma novela, fosse na RTP fosse noutro canal, escolheria fazer o ‘Conta-me como Foi’. Foi por isso que saí da NBP. Porque era um projecto que abrangia um tipo de público que se calhar as novelas da TVI ou da SIC não abrangem e as pessoas começam a ver-nos de maneira diferente.”
planos para o futuro “Neste momento estou a trabalhar no remake da novela brasileira ‘Dancing Days’, na SIC. Ainda não sei muito da personagem porque não estamos a ensaiar com textos, mas sei que a minha personagem no original não existe, o núcleo onde estou inserida foi criado de raiz. Há outros projectos que eu gostava muito de fazer, mas estamos em Portugal, não há 500 convites por ano para fazer teatro. Se houver convites para uma peça ou duas já é sair a sorte grande. Gostava de fazer humor, mas ao mesmo tempo não queria nada porque depois nunca mais ia querer fazer outra coisa.”
paixões “Ai, gosto muito dos animais. Parece conversa de miss, mas é a verdade. Tenho três cães, o Xavier, um SRD, sem raça definida, a Madonna, uma sharpei, e o Bart, um buldogue francês. Gosto de cozinhar, aliás não me importava nada de ter uma baiuca, com dizem lá na minha terra [Torres Vedras]. Música? O que me dão é o que eu oiço. Gosto da Adele. Agora também gosto da outra, como é que ela se chama? Del Rey?”
Manias “Antes de entrar em palco ando pelos corredores a dizer o texto todo, parece que estou a rezar a missa. Depois dou murros no ar, como se fosse entrar no ringue, para ir buscar energia e o sangue começar a correr no corpo.”



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