Depois do êxito retumbante das duas primeiras temporadas, a série vai adicionando ingredientes muito prometedores
Uma série dentro da série. É desta forma que se pode caracterizar o acompanhamento dos preparativos da terceira temporada de “Downton Abbey”, exibida em Portugal pelo canal Fox Life, cuja estreia inglesa será em Setembro. E cada “episódio” destes preparativos tem foros de notícia. A mais recente é a de que Shirley MacLaine vai participar na série.
Shirley MacLaine, de 77 anos e já com um Oscar (e sete Globos de Ouro) no palmarés, vai interpretar o papel de Martha Levinson, mãe de Cora, isto é, a avó americana, que já foi referida na série quando Mary, a filha mais velha do casal Crawley, estava predestinada a refugiar-se nos Estados Unidos, após dissolver o noivado chantagista de que era alvo por Sir Richard Carlisle.
Com a entrada da actriz norte-americana na série, que retrata a vida de uma família da nobreza britânica ao longo dos anos, desde o naufrágio do Titanic em 1912, fica prometido um duo de peso no sector dos papéis da terceira idade. Shirley vai muito provavelmente ter de contracenar com frequência com Maggie Smith, a actriz que dá corpo à condessa Grantham, mãe de Robert Crawley.
E quem viu a série (cerca de 11 milhões fizeram-no, em média, nas duas primeiras temporadas) criada por Julian Fellowes, sabe o que isto quer dizer: a Condessa Grantham molda-se pela fina ironia, com toques de nobre cinismo e uma frontalidade sempre elegante, tendo servido, ao longo do guião, para desbloquear inesperadamente algumas situações, com humor inteligente.
Ficaram célebres, na série, as picardias entre a condessa Grantham e Isobel Crawley, mãe de Matthew Crawley, o herdeiro intruso de Downton Abbey. E, por várias vezes, a condessa Grantham descrevia os nativos do outro lado do Atlântico como se estivesse a narrar um documentário sobre natureza selvagem, embora mantenha uma relação muito próxima com a sua nora norte-americana, Cora Crawley. Será digno de nota ver a “fleuma” de Maggie Smith a contracenar com a atitude “moderna” e descontraída de Shirley MacLaine. A terceira temporada vai abarcar mais 18 meses da vida desta família e dos seus criados, entre 1920 e 1921.
Estados unidos Tudo isto quer dizer que a terceira temporada tem todos os ingredientes para brilhar, estando bem preparada a entrada de MacLaine no elenco. A actriz, irmã de Warren Beatty, é um dos pesos-pesados do cinema americano, tendo já participado em 70 longas-metragens, séries e programas, a primeira das quais em 1955, pela mão de Alfred Hitchcok, em plena fase do “american way of life”, em que uma Europa ainda a remover os destroços da Segunda Guerra olhava para os Estados Unidos como o paraíso.
A entrada de MacLaine no elenco é também uma piscadela de olho dos produtores britânicos ao mercado televisivo norte-americano, onde as duas primeiras temporadas foram muito bem sucedidas. Ao “The Guardian”, Laura Mackie, a realizadora da série, descreveu assim a novidade: “É fabuloso ter uma actriz tão carismática como a Shirley MacLaine no elenco da terceira temporada, é um tributo ao sucesso da série nos dois lados do oceano”.



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