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Sondagem i/Pitagórica. CDS em queda irrevogável

Sondagem i/Pitagórica. CDS em queda irrevogável

01/08/2013 00:00

O PS e o PSD são os únicos partidos a registar uma subida nas intenções de voto no barómetro i/Pitagórica de Julho. Após um mês de crise, provocada pela demissão de Paulo Portas do governo, o CDS não sai incólume deste episódio e recebe dos portugueses o pior resultado desde o início do barómetro.

O partido liderado por António José Seguro soma já três meses consecutivos em ascensão. O sobressalto de Abril - com a queda dos 36,7 para os 28,6% - tem vindo a ser progressivamente contrariado, mas não o suficiente para que o PS volte a esse resultado, o melhor desde Outubro do ano passado. Este mês os socialistas sobem para os 34,6% das intenções de voto, sete décimas acima do valor registado em Junho.

Em sentido contrário estava, até ao último barómetro, o PSD. Em Maio e Junho os social-democratas registaram uma tendência de queda que culminou, há um mês, no pior resultado de sempre (23,7%). No entanto, ultrapassadas as três semanas de crise política - desencadeadas pela saída de Vítor Gaspar e pelo bater de porta revogável de Paulo Portas -, Passos Coelho recebe uma benesse dos eleitores: o PSD consegue recuperar algum terreno e recolhe, em Julho, 24,1% das intenções de voto. Uma subida, ainda que muito ligeira - e que não representa mais do que o segundo pior resultado do partido dos últimos dez meses.

Centristas pagam pela crise É ao Largo do Caldas que mais responsabilidades se imputam no rescaldo da crise política. O CDS vai no terceiro mês de queda livre e não consegue, em Julho, mais de 8,1% das intenções de voto dos inquiridos - um resultado negro para o partido de Paulo Portas, que nunca registou números tão anémicos num barómetro. Ainda que acentuada (um ponto percentual), a descida não é, porém, tão significativa como a de Maio, em que a perda dos centristas foi de 1,5%.

Esquerda mantém O PCP continuaria seguro na sua posição como terceira força política se as eleições fossem amanhã. Com um muito ligeiro recuo, o partido segura o resultado de Junho - o melhor desde o início do barómetro. Os comunistas perdem apenas uma décima, recolhendo em Julho 13,1% das intenções de voto dos inquiridos. É, assim, o segundo mês em que o PCP surge acima dos 13% - e muito acima dos 7,9% de votos com que se fizeram as contas em 2011, aquando da distribuição de lugares dos deputados à Assembleia da República.

Mais à esquerda no hemiciclo, o Bloco de Esquerda desce pelo segundo mês consecutivo e fica quase a um ponto percentual do seu melhor resultado (9,4% em Maio). Ainda assim, é uma posição favorável para os bloquistas, quando comparada com o resultado das últimas legislativas - 8,7% dos boletins seriam atribuídos ao partido no cenário de eleições a breve trecho.

Paulo Portas. O nome que cola com a crise
Uma pergunta: quem ficou pior na fotografia da crise política? Quatro nomes: Cavaco Silva, Pedro Passos Coelho, Paulo Portas e António José Seguro. Um número: 45,9%. Para os inquiridos é clara a responsabilidade de Portas no episódio que ameaçou fazer cair o governo. Estava “irrevogavelmente” decidido a sair, ficar no governo seria uma “dissimulação”, mas acabou vice-primeiro-ministro. “Criancice”, “garotice”, “infantilidade” – adjectivos não faltaram para caracterizar os avanços e recuos de Portas. Passos aguentou o barco e sai com a imagem mais imaculada do conjunto. Seguro não aceitou as condições impostas pela maioria, mas o preço a pagar não é alto. Cavaco tentou forçar o diálogo: os portugueses não apreciaram a ideia (gorada) de tentar unir os três partidos.

Finanças. Macedo preferido para o Terreiro do Paço
A notícia chegou sem aviso: “Gaspar demite-se”. Sai o ministro e, no dia seguinte, Maria Luís Albuquerque sobe a titular da pasta das Finanças. Nas 24 horas que separaram os dois momentos, chegou a ser sugerido o nome de Paulo Macedo, ministro da Saúde, como possível substituto. Não foi, mas essa seria a escolha mais apoiada pelos inquiridos (45,9). Maria Luís não recolhe mais de 10,3% dos votos sobre quem estaria mais preparado para suceder a Gaspar. De longe, Paulo Macedo seria o nome preferido, sobretudo na opinião dos homens com mais de 55 anos, das classes sociais média e alta e residentes da região de Lisboa. Entre os dois, surge uma terceira votação: para 25,8% dos inquiridos, nenhum dos governantes estava bem preparado para assumir essa responsabilidade. Passos escolheu a secretária de Estado.

Palavra de ordem: investimento, investimento, investimento
A esmagadora maioria dos inquiridos (91,3%) considera que a saída de Vítor Gaspar do governo – e assumir que a austeridade como solução única para o ajustamento das contas públicas falhou – deu o mote a uma nova fase em que o investimento é rei. O ex-ministro das Finanças, que saiu alegando falta de apoio, leva nota negativa pela sua passagem pelo executivo.
Quase metade dos inquiridos (45,5%) considera que foi a falta de apoio que levou o ex-ministro de Passos a abandonar o governo no início de Julho. A segunda hipótese para justificar a decisão foi o facto de Gaspar ter reconhecido que a política que aplicou durante dois anos tinha falhado (38,6%). Menos expressivas são as opiniões de quem diz que a saída se deveu à oposição de Paulo Portas ou à falta de crença de Passos Coelho (entre 3% e 4% dos votos).
Bastante expressiva é, por outro lado, a vontade de uma grande maioria que defende uma mudança de rumo nas políticas do governo, dando prioridade ao investimento. Este imperativo de mudança é expresso com maior vigor pelos inquiridos das classes mais altas, os da Região Norte do país, os que têm entre 18 e 54 anos e as mulheres. 91,3% querem um Estado a dar mais apoio à economia através do investimento.
Ao terceiro pedido de demissão, Vítor Gaspar saiu, mas leva consigo a imagem de um trabalho insatisfatório. Solicitados a avaliar o trabalho do ex-ministro, 54,2% dos inquiridos considera que a prestação foi má ou muito má. Um terço (33,1%, o resultado individual mais expressivo) fica-se por uma avaliação “razoável” do governante, e apenas 9,5% dão nota positiva (0,5% dizem que os dois anos de passagem pelo governo foram “muito bons”).

 

 

Ficha técnica
Objetivo:
Estudo de opinião realizado pela pitagórica – investigação e estudos de mercado sa, para o jornal i, entre 24 e 28 de julho de 2013.
Foram realizadas entrevistas telefónicas– cati por entrevistadores seleccionados e supervisionados, com o objectivo de conhecer a opinião sobre questões políticas e sociais da actualidade nacional.
Universo:
O universo é constituído por indivíduos de ambos os sexos, com 18 ou mais anos de idade, recenseados em portugal e com telefone fixo ou móvel.
Recolha de informação:
Foram validadas 507 entrevistas correspondendo a 74,8% das tentativas realizadas. Foi utilizada uma amostragem por quotas de sexo, idade e distrito: (homens – 243; mulheres – 264; 18-34 anos: 146; 35-54 anos: 191 e 55 ou mais anos: 170; norte: 183; Centro 110; Lisboa: 133; Alentejo: 34; Algarve:
21 e ilhas: 26). A geração dos números móveis a contactar foi aleatória e a dos números fixos seleccionada aleatoriamente por distrito nas listas telefónicas. Em ambos os casos o entrevistado foi selecionado de acordo com as quotas estipuladas. No caso da intenção de voto, são considerados 396 inquiridos após tratamento da abstenção. Na projeção de voto os indecisos (38,7%) foram distribuídos de forma proporcional.
Amostra e erro:
O erro máximo da amostra é de 4,4%, para um grau de probabilidade de 95,5%. Um exemplar deste estudo de opinião está depositado na entidade reguladora para a comunicação social

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