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Por Maria Espírito Santo
publicado em 7 Fev 2013 - 03:00
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Simplesmente Maria. Uma novela sintonizada em palco
O retrato fiel de uma época para ver e ouvir. A peça estreia-se hoje no teatro A Barraca, em Lisboa

Estamos na sala onde se faz um folhetim entre 1973 e 1974. Deste lado, do público, fazemos o papel dos técnicos, da régie, e é para nós que os actores lançam olhares para perceber se tudo corre bem. Lá à frente, no palco, há carpetes de padrões vistosos, um enorme rádio antigo com vinil incorporado, poltronas para pôr a conversa em dia no intervalo da novela e todo o espaço para se de-senvolver a vida real e a ficcionada, que se cruzam. De olhos fechados, poderíamos assistir a “Simplesmente Maria”, um revivalismo das novelas radiofónicas em Portugal. Mas de olhar atento a experiência é outra. A nova criação da actriz e encenadora Mirró Pereira estreia hoje no teatro A Barraca, em Lisboa, e fica em cena até 24 de Fevereiro.

Elas nos seus vestidos coloridos ou de bolinhas, de lábios de cor garrida, eles à boca de sino, de cachimbo pendurado na boca ou de blazer aprumado. A Maria Albertina queixa-se do casamento, o Henrique está a ver o Toni aproximar-se de mais da sua conquista. Mas fora com os problemas pessoais, que o “Simplesmente Maria” está quase a ir para o ar.

A realidade confunde-se com a ficção a vários níveis. O folhetim é inspirado num feito em Portugal na mesma altura, com o mesmo nome. Passava na Rádio Renascença de segunda a sexta e teve mais de 500 episódios, sobrevivendo às mudanças da revolução de Abril. Foi o modelo ideal para Mirró Pereira concretizar a vontade de falar do passado. “Toda a minha identidade cultural, o meu passado, sempre andou muito à volta do universo radiofónico. A música, o sintonizar, o roubar o gira-discos ao pai para ouvir música. Em conversas de família iam surgindo as memórias, no meu tempo havia isto ou aquilo. E vinha à conversa o teatro radiofónico e o universo dos folhetins, que é outro género teatral. Nos anos 70 o famoso folhetim ‘Simplesmente Maria’ parou o país, a Assembleia reunia mais tarde para ouvir, a venda de transístores disparou, as pessoas eram atropeladas na rua porque iam a ouvir.” A veia de “colectora de memórias” ajudou, confessa a encenadora.




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