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Por Agência Lusa
publicado em 17 Nov 2012 - 21:48
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Pinto Balsemão admite que será necessário "limitar desinformação" da Internet

O papel da Internet e das redes sociais na configuração do espaço público foi hoje questionado num debate em Coimbra, tendo o empresário Pinto Balsemão admitido a necessidade de limitar o que for “desinformação”.

Francisco Pinto Balsemão, presidente da SIC, disse que na Internet, incluindo nas redes sociais, nos anos mais recentes, são veiculadas informações com importância noticiosa, mas referiu que, “misturado com isto tudo, há rumores que nunca são confirmados”.

“As redes sociais vieram agravar este fenómeno”, disse o antigo primeiro-ministro, ao intervir numa conferência subordinada ao tema “Democracia, novos media/novos poderes”, uma iniciativa conjunta da Câmara Municipal de Coimbra e da Fundação Bissaya Barreto.

Na sessão, a terceira de um ciclo integrado nas comemorações dos 300 anos do nascimento de Jean-Jacques Rousseau, participaram também José Manuel Fernandes, José Pacheco Pereira, Miguel Morgado e Viriato Soromenho Marques, tendo cabido a moderação ao jornalista Henrique Monteiro.

Uma “grande parte” das pessoas “abdica da sua privacidade para publicar informação sua na ‘net’ e nas redes sociais”, afirmou Pinto Balsemão.

Os cidadãos “que defendem a liberdade de expressão” poderão ser levados a exigir que “sejam colocados limites a essa desinformação”, acrescentou.

“Até que ponto devemos ser tolerantes com a intolerância?”, perguntou o fundador do semanário Expresso, afirmando que ele próprio já foi “vítima disso” na Internet.

Nos meios de comunicação virtuais, “há dificuldade em saber quem é quem”, criticou.

Pinto Balsemão referiu que, para reagir a estes problemas, importa que “os meios ditos tradicionais mantenham as suas funções de mensageiro de filtrador, de veiculador de opiniões e de ‘aguilhão’ da opinião pública”.

Também o ex-eurodeputado Pacheco Pereira considerou que “não é possível haver sociedade democrática sem haver mediações”, as quais podem ser efetuadas através “do saber, do conhecimento profissional, do tempo institucional, do direito e das regras”.

A democracia “é a vontade da maioria”, mas a ela deve acrescentar-se “o império da lei”, adiantou.

“A democracia é feita para garantir que decisões não populares possam responder a outras necessidades que não são aquelas que impulsionam o voto popular”, afirmou o comentador político e antigo eurodeputado do PSD.

Para o professor universitário Viriato Soromenho Marques, “o excesso de informação ruidosa” é hoje um dos problemas das sociedades.




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