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Por Agência Lusa
publicado em 25 Out 2013 - 21:26
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Mundo caminha para regimes ditatoriais apoiados nas tecnologias, defende académica portuguesa
"Estamos numa tremenda crise, que não sabemos muito bem onde vai dar"

A "tremenda crise" de segurança que se vive hoje em dia no mundo está a transformar as democracias em ditaduras, ao abrigo de exceções que estão a destruir os valores ocidentais, defendeu hoje a académica portuguesa Irene Pimentel.

Em declarações à agência Lusa no Tarrafal, norte da ilha cabo-verdiana de Santiago, onde participa na primeira conferência internacional sobre a Rota dos Presídios no Mundo Lusófono, a historiadora portuguesa alertou para os perigos de as excessivas medidas de exceção estarem a destruir a democracia.

"Estamos numa tremenda crise, que não sabemos muito bem onde vai dar. O grande problema é que as próprias democracias, que não podemos dizer que são ditaduras, têm exceções, estabeleceram regimes de exceção para determinadas categorias, como terroristas ou bombistas, criando administrativamente uma nova legitimidade e uma nova lei, completamente fora da lei da democracia", advertiu.

Salientando o "caso típico" de Guantanamo, a "prisão" norte-americana localizada em Cuba, Irene Pimentel criticou o facto de ainda existirem, nos dias de hoje, campos de concentração que estão a perverter a democracia e liberdade dos cidadãos.

A professora da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, que dissertou sobre "O Sistema Concentracionário na Europa e no Mundo", realçou que, em nome de "eufemismos" ligados, por exemplo, à Lei Patriótica ("Patriot Act") norte-americana, se possa prosseguir com a tortura.

"Há aquela frase célebre de (António Oliveira) Salazar: «Uns safanões a tempo para que os temíveis bombistas não provoquem perda de vidas humanas, de mulheres e crianças». Com esse argumento, atualmente, está a dar-se cabo da democracia. Quando estamos a fazer exceções em democracia, estamos a dar cabo dela", sublinhou.

Questionada pela Lusa sobre para onde então se caminha, Irene Pimentel respondeu que poderá estar-se a caminhar para "novas ditaduras", diferentes das que se conhecem, "porque não há referências e os contextos são diferentes", salvaguardando ainda que a tecnologia atualmente ao dispor ajuda "tremendamente" ao processo.

"Estamos em transformação, sem quase darmos por isso, de uma democracia para ditaduras. Por exemplo, hoje em dia, não é preciso na Europa, ou em Portugal, instaurar a censura tal como ela existia na ditadura.




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