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Por Jornal i
publicado em 28 Set 2012 - 03:00
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Fronteira invisível. “Se um dia Portugal e Espanha se unirem, a capital será Olivença”
Depois de décadas a fio de costas voltadas, Olivença está cada vez mais virada para Portugal e muitos oliventinos estão a pedir a nacionalidade portuguesa

No dia em que a Ponte da Ajuda – que liga Elvas a Olivença – foi inaugurada, acorreram à cerimónia não um, mas dois padres. De um lado da ponte estava o pároco português de Santa Luzia. No extremo oposto, Santiago Dorado, acabado de chegar de Olivença. O incidente diplomático resolveu-se rapidamente e cada um dos padres leu um trecho do evangelho – em castelhano e em português. Mas na hora de benzer a obra, a histórica disputa de território entre Portugal e Espanha reacendeu-se: qual dois dois deveria, afinal, dar a bênção à ponte? “Benze-a tu, já que foi o teu governo que a pagou”, atirou o padre oliventino.

A Ponte da Ajuda, inaugurada em 2000 e paga na íntegra pelo Estado português, foi construída ao lado da antiga Ponte de Ayuda, que remonta ao início do século XVI. Actualmente está em ruínas – ou pelo menos uma parte. É que o governo espanhol mandou reconstruí-la, mas só até à demarcação da fronteira. Na prática, o que existe hoje é uma ponte sem tabuleiro, sem utilidade e em ruínas do lado português. Não é preciso sequer chegar a Olivença para perceber que o velho litígio ainda é vivo: na estrada que liga Elvas à cidade espanhola, a maioria das placas foram pintadas e onde seria suposto ler-se “Olivenza” aparece escrito “Olivença”. A questão é antiga e conhecida dos dois lados da fronteira. Em 1801, Olivença foi anexada a Espanha através do Tratado de Badajoz, denunciado anos mais tarde por Portugal. Já em 1817, com o Tratado de Viena, Espanha acaba por reconhecer a soberania portuguesa e compromete-se a devolver o território – o que nunca chegou a acontecer.

Passados 200 anos, Olivença parece cada vez mais virada para Portugal. E as histórias dos contrabandistas que atravessavam o Guadiana à socapa e pela calada da noite para enganar os guardaa da alfândega pertencem ao passado. Hoje, vai-se a Espanha às compras, atestar o depósito do carro e até ter filhos. Na cidade oliventina, segundo o ayuntamento [câmara] local, vivem oficialmente 157 portugueses, embora se saiba que são muitos mais. Uns assumem-se espanholistas, outros defendem a integração em Portugal.




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